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A maré alta das letras

Incentivar a leitura. Hoje se fala muito em incentivar os jovens à leitura. Diferentes instâncias do governo, ministérios, secretarias de cultura, universidades, escolas, empresas e a sociedade como um todo já reconhecem a importância da leitura para o desenvolvimento cultural, organizacional e até econômico de nosso país.

Engana-se quem pensa que a nossa literatura estancou em Guimarães Rosa, Paulo Leminski, Drummond e que o máximo que chegou foi a Sérgio Sant’Anna, Hilda Hilst, Rubem Fonseca e Dalton Trevisan. Muito pelo contrário. Escritores são uma raça resistente. Eles estão aí, se reproduzindo mesmo que em cativeiro editorial, como André Sant’Anna, Bernardo Carvalho, Heloisa Seixas, Fernando Bonassi, Marçal Aquino, Marcelino Freire, Ivana Arruda Leite e Nelson de Oliveira. Gente que sua a camisa para publicar seus livros, paulatinamente criando uma legião de leitores cada vez mais interessados em seus novos trabalhos. São aqueles que produzem uma espécie de “literatura nova”, ‘mas que nem sempre são tão novos quanto a literatura que fazem’.

A produção literária sempre foi repleta de lacunas. Talvez a mais importante dessas lacunas seja de ordem logística. Ou seja, refere-se principalmente à viabilização de um fluxo tranqüilo e fácil da obra (no caso, o texto) até seu destino final (o leitor). E se as possibilidades do escritor em publicar seus primeiros trabalhos constituem-se em uma dura batalha, por outro lado, há hoje, mais do que nunca, um círculo de leitores que anseia por novidades, que pode ser estimulado a travar contato com a literatura de novas safras e expandir este circuito.

Preencher a lacuna entre as dificuldades de mapear a produção literária escondida nas gavetas e os leitores, que buscam por novas referências, é uma preocupação constante de quem pensa literatura como um processo contínuo.

Foi a partir desse processo, de pensar a literatura e de tentar identificar quem são os novos talentos, que surgiu a idéia de se criar o projeto Paralelos, que nada mais é do que uma espécie de confraria de escritores incuráveis e leitores ávidos em torno de um movimento, de uma articulação para estimular a produção literária em seus diversos níveis.

Bom deixar claro que o Paralelos não é um movimento literário, como já insinuaram, mas um movimento de escritores e leitores que se articulam, que se movimentam e que começam a se cruzar. Este cruzamento de pessoas e idéias se dá em torno de algo comum a todos nós: a paixão pelo livro, pela palavra e até, diria, nesse momento inicial, pela cidade do Rio de Janeiro. Esta paixão pelo Rio fez estes ‘paralelos’ se sentirem de alguma forma incomodados com uma certa apatia sinistra que se abatia na nova produção literária carioca.

Aliás, durante o nosso trabalho inicial, de mapeamento da produção literária mais recente, os números surpreenderam: para um número de oito escritores novos que estudávamos, apenas um era do Rio de Janeiro, sendo a maioria de São Paulo e dos estados da região sul. Perplexidade. A partir daí, intensificou-se a decisão de conhecer melhor estes escribas à beira-mar. Foi realizado um trabalho dedicado de pesquisa em blogs, revistas literárias, zines, na internet de uma maneira geral; falando com editores, escritores de gerações anteriores e muito também no boca-a-boca.

A ‘descoberta’ foi que cariocas escrevem sim – depois da praia, é certo,- e os nomes apresentados neste espaço e, posteriormente, na revista, são a prova de que existe vida inteligente à beira-mar. Estes escritores literalmente trabalham e se relacionam paralelamente em linhas que não se cruzavam nem para um chope. O que era de se lamentar.

O que podemos vislumbrar hoje é uma clara mudança comportamental, já que parte desses escritores já se encontram e se descobrem uns aos outros , trocam idéias e se articulam. Isto é ótimo, e nos deixa muito felizes. Um exemplo dessa mudança seria o fato da Cecília Giannetti praticamente morar na mesma rua de Mara Coradello e elas nem saberem da existência uma da outra antes do Paralelos. Agora não param de tricotar! Estranho, pois este modus operandi de tatu (como bem definiu Cecília Giannetti) da nova geração de escribas do Rio, vai de encontro à própria fama do carioca de gostar de um bom papo ao redor de uma bela mesa de botequim.

Nesta edição especial, Escritores à Beira-Mar, vocês entrarão em contato com um pouco do que tem sido produzido aqui no Rio. A ‘maravilhosa cidade’ é, no entanto, só o ponto de partida desta viagem. Esperamos que gostem.

E como já disseram antes: - leiam o novo!

Bem, paramos por aqui porque ninguém é de ferro. O dia está lindo lá fora e a praia nos espera.

Nos cruzamos por aí,

Os editores,
Augusto Sales
Jaime Gonçalves Filho


* * * * * *

P.S. - A revista-livro Paralelos será lançada, em 2004, pela editora Casa da Palavra, em três volumes. A saber: (i) prosa (contos), (ii) crônicas e ensaios e (iii) poesia. Estas edições abrigarão a novíssima literatura tanto do Rio quanto de outros estados.

Aqui vão os agradecimento especiais à Martha Ribas, da Casa da Palavra, por nos abrigar e por acreditar, como nós, que a renovação literária é muito importante para a sustentação do mercado editorial nacional como um todo, bem como para a formação de novos escritores, incentivo a leitura e o desenvolvimento de novos leitores.

Agradecemos a competência, o talento e o carinho com o trabalho, dedicados por Mariana Newlands e Nando Pereira, responsáveis, respectivamente, pelo projeto gráfico e tecnologia do website. Sem os dois não seria possível toda essa elegância gráfica e facilidade de navegação desfrutadas pelos internautas. Mariana Newlands foi também quem assinou a arte dos livretos “Especial 300 toques”, distribuídos a 2 mil sortudos nas últimas semanas, como aperitivos para a revista Paralelos.

Agradecimentos também ao pessoal da Prefeitura do Rio e da Primavera dos Livros por nos dar um tratamento tão atencioso e gentil.




Clipping


Carta Maior: Revista Paralelos - Literatura Nova e outros subtítulos
Depois de mapear a escondida - quiçá por timidez - nova produção literária, principalmente a carioca, a Revista Paralelos surge disposta a sacudir a moçada adepta às letras, que no momento anda mais preocupada com praia e mulheres, ou rapazes.

Carta Maior: www.agenciacartamaior.com.br
Matéria: Revista Paralelos - Literatura Nova e outros subtítulos


PublishNews: Primavera Plugada
Primavera plugada PublishNews - 9/10/2003 - por Carlo Carrenho Iniciativa de escritores compulsivos e ávidos leitores cariocas radicados no Rio de Janeiro, a revista paralelos "pretende ser um instrumento para espantar a apatia sinistra que compromete o papel do Rio de Janeiro como pólo cultural", como salienta o texto de divulgação do veículo. O objetivo seria promover uma maior inter-atividade entre estes escritores e colocá-los em feiras de livros, eventos literários e cadernos culturais dos jornais. O primeiro passo do projeto foi a criação do site paralelos.org, uma espécie de avant-première da etapa seguinte – a publicação de uma revista-livro a ser lançada pela Casa da Palavra. O primeiro aperitivo da revista paralelos será servido durante a Primavera dos Livros, no evento denominado Prosa Plugada, que incluirá o lançamento do site, debates, leituras, show e a festa Maresia Literária. O happening cultural será dia 18 de outubro, a partir das 17h, no Armazém 5 do Cais do Porto, no Rio de Janeiro.

PublishNews: www.publishnews.com.br


PublishNews: Bala de Canela
Não faz muito tempo, a logística de vendas de balas em semáforos passou por uma verdadeira revolução industrial. Alguém percebeu que se criasse um texto e coloca-se em um saquinho plástico junto com as balas, poderia atingir um número muito maior de carros a cada vez que o farol (para os paulistas) ou sinal (para os cariocas) fechava. E assim foi feito, comprovando-se mais uma vez, ainda que de forma inusitada, a importância da palavra escrita. Inspirados neste espírito "fordista" de venda de balas nos cruzamentos das grandes cidades brasileiras, os organizadores da edição carioca da Primavera dos Livros e os editores da revista paralelos também criaram um "kit-semáforo" para divulgar tanto a simpática feira literária como o lançamento do site paralelos.org, dedicado à atual literatura contemporânea carioca. O kit é composto por um convite para a Primavera dos Livros, três balas de canela Florestal, e o minilivro Escritores à beira-mar - Especial 300 toques, que traz minicontos de oito escritores que pertencem ao Paralelos, movimento que reúne a novíssima literatura carioca. Todos os contos foram limitados a 300 caracteres. O minilivro, que teve tiragem de 2000 exemplares, termina com um convite para o lançamento do site do projeto no dia 18 de outubro, a partir das 17h, na própria Primavera dos Livros, dentro do eclético evento "Prosa Plugada". O "kit-semáforo" tem sido distribuído nos cruzamentos e mesmo nas livrarias do Rio de Janeiro ao longo desta semana. Hoje, os organizadores do Paralelos planejam um distribuição no centro da capital fluminense.

PublishNews: www.publishnews.com.br


O Globo: Literatura carioca e transgênica em Paralelos
Site que vai ser lançado hoje na Primavera dos Livros quer demarcar um novo terreno para os autores do Rio.

O Globo: www.oglobo.com.br
Matérias: Literatura carioca e transgênica em ‘Paralelos’ e Festa das pequenas (grandes) editoras


Jornal do Brasil: Reação à beira-mar
Projeto Paralelos sai à caça da nova geração de escritores cariocas.

Jornal do Brasil: www.jb.com.br
Matéria: Reação à beira-mar


Portal Literal: Linhas que se encontram
Reunindo jovens autores cariocas que, até agora, tinham muitas coisas em comum e pouco contato, revista "Paralelos" será lançada dentro da Primavera dos Livros, abrindo no sábado o "Prosa plugada", evento da feira das pequenas e médias editoras dedicado à nova literatura do Rio.

Portal Literal: www.literal.com.br
Matéria: Linhas que se encontram



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