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O Sombreijomem
por Löis Lancaster

Primeiro ela viu o vermelho. Viu a conta do que bebeu. Era a cor de que gostava. Era pouco pra onda que teve. Então tem muitos lugares, relativamente baixa a chance de suar frio lembrando que esqueceu algo importante só porque ela, em solene cerimônica, conferiu a inoportância. Treze reais, é isso mesmo. Jostacatso, relamente havia algo pra lembrar. Então tem muitos lugares. E ela foi.

Acordei lanhada, mas sexta é dia da Tati, que ninguém me lembra desdenho animado. É de coisa a conclusão, sua cara há alguns muitos quilos de milhões. Pior foi que ter a respeito.

Como uma moça branca, na entrada aquele envulto ela via se estender em negaltivo no corredor. Era a encarnação de seu suor, que a parede vertia um terror que nem te conto. Essa sombra num homem? Azar.

“Você e a parede
Nunca se viram
Não posso pedir
A seus poros que te firam
Você pensa que ela é uma prisão
Mas é só uma rede ao real
No fundo do quarto”


Num brilho intermitente de strobo, o desejo desse gélido tom branco-lilás partira o presente em incontáveis. Imediato um desacostume, todo ficou mundo mais bonito. Poderia qualquer ser lugar, com tal descuração. Muitos pulavam ao chom de qualquer batidota. Sentando então à mesa colada no agito, o mais longe dos cantos e perto do centro, o macambúzio que passara por muro assistia a desintegração de sua sombra em mil perdaços. A doce mulher que ela era por um pouco não mais o incomodaria, nem os olhos de faminta que ele sabia estarem lá, por trás de cada prato bem servido quente há janela aos flageados num restaurante. Sempre em mímica, ele existia pra recortá-la do cenário, pôr a luz em movimento. Sentindo com o tato a própria cegueira, ela o dançava com arte chinesa, ele cuidava do susteto dando-se de comer.

Deixando de tudo uma enorme diferença entre nós, as estatísticas.

Nenhum deles sabia (fora a sombra), não estavam acostumados a pensar de um jeito que não trouxesse benefício de resposta imediata. Um mal cada vez mais freqüente. Vão assim as impressões fortuitas construindo de seu lado um mundo à parte, onde relações nascem, vivem e morrem em lugar de amantes, cheiros de dezembro comemoram seu próprio Natal enquanto os deveres repartidos acordam de manhã para o trabalho com o pior dos desânimos, contudo uma firme vontade os arrasta de pé, sentindo no caminho atrito do áspero cansaço, um boneco vaqueiro arrestado pela rês na areina do rodeio. Chegando ao banheiro, de algum basculante o sol se reparte em luz à toalha e contorno ao chão de um braço que, onde o breu engole, segura pela mão um vidro de xampu. No rótulo, palavras às pessoas, mas rosto a esse mundo que de simples tudo basta pra manter. É assim que a missa de manobra faz o dia funcionar. Nenhum deles sabia (a sombra sabe), mas os bonecos viram um que o outro era bom, engataram um papo qualquer, e assim esses juntos podiam bem ser a Mônica perdida de alguém egual, tanto escuro piscando como em fundo a setas pinceladas, abrindo os braços ao artista que há enorme tempo a deixara ir. As vultidões do centro da pista assentaram em escuras formas, chegados os espectros ao canto onde dava o som pra conversar. O que nele a ela, que só viam com mulher, atraíra...

“Você
Nunca viu a parede
Não pode dizer
Que ela é curva nem que é verde
Ela pensa que você é uma visão
Mas é só um cliente ideal
No meio do quarto”


... pegou sua própria mão e passou pela parede, onde a sombra dele estava. Se deram um abraço. Tantos dias desprocupados em promessa, mas não é possível que entre quatro paredes, sim, o quardo está assinato. Todos condenários, os direitos desorvados, um fim prescrito sem saída de inocêndio. Artista adiota.



| comentários (6)

:: dezembro 10, 2003 11:34 PM


Löis Lancaster

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