"Pour mon âme, il n'y a pas d'élixir de vie si ce n'est à tes lèvres.
Dans ce monde, il n'y a pas de sucre plus doux que tes lèvres
(Ah, chère, chère, j'appelle!..."
Kamâl Khojendi
Você sabe, não podemos contar pra ninguém quando peguei na sua mão. Aliás, acho que foi a sua que pegou na minha, porque eu tinha posto ela sobre a sua perna. Ali naquele bar, arrisquei. E pensei, ou ela vai tirar, o que, deduzi, era uma possibilidade remota, ou ela vai... Nem deu tempo de terminar o pensamento e a sua mão já estava apertando a minha, com uma força tal que ficou meio espremida. Imaginei o resto como deveria ser. E foi quase tudo, porque aqueles beijos na boca no banheiro daquele bar davam boas-vindas ao verão, mas para nós, sabemos disso, tudo não passou de um adeus.
Você é exatamente como eu pensava. Quando se dá, se dá mais do que se espera. É prato pra dois, só que servido pra um. Vou me lambuzar, co-me-mo-rei. Não deu outra. Depois daquela enconstadinha de cabeças, botei a mão na sua perna e deixei o resto acontecer. Como naquele jogo espírita do “copinho”, nossas mãos iam da sua perna pra minha, da minha pra sua, sem que soubéssemos qual era a força que as guiava, só decodificando a mensagem em forma de tesão.
Da sua pra minha, da minha pra sua, não sei como você ainda conseguia conversar. Acho que era a cerveja, a gente entrou no jogo da bolinagem mascarada pelo papo, tudo rolando embaixo da mesa, com a ajuda da toalha. Não dava para eu chegar lá na sua boceta, mesmo que você tenha aberto bem as pernas. Só se eu te pegasse por trás, mas aí você amassaria a minha mão sobre o assento de madeira. E todo mundo ia ver. Queria ter sentido o suor das pernas misturado com um pouco do que uma boa boceta quente, como a sua deve ser, produziria depois de muita excitação. Mas, não. Não cheguei lá, não dava, pelo menos não dava pra ser sem que ele ou metade do bar se tocasse que uma bolinagem explícita estava em curso.
Sacanamente puxei a sua mão, convidando a chegar mais perto daquilo que você bem merecia. Você não se fez de rogada, e apertou o meu pau como boa convidada que era, fez-se em casa, totalmente confortável. Só que com você a coisa não funciona na delicadeza, é na porrada. Não há tempo para saborear, é preciso deglutir. Sua mão – mãozinha grande hein! – envolveu e espremeu meu pau, querendo o suco antecipado. Não tinha como. O suco não sai assim de primeira, felizmente.
Como estava difícil respirar àquela altura, você saiu de fininho. Banheiro feminino. Três chopes como desculpa, justificada. Esperei. Dois minutos. Não preciso falar que foi estratégia. Sei como são as moças, sempre demoram mais que os homens. Com banheiros contíguos, o seu se tornou meu confidente, dedurando a hora que você puxou a descarga e abriu a torneira. Você demorou um pouco mais do que o esperado para puxar a descarga. Ele não quis confirmar minha suposição de que, além de deixar aquele chope sair, você ainda teria conferido com o dedo médio o grau do encharcamento que chegou até a calcinha. Arrisquei até a perguntar às paredes se você tinha pedido uma opinião sobre o nosso encontro ao seu clitóris. Você sabe, como eu, isso foi loucura, coisa que não acontece assim, pelo menos entre gente como nós. Você pode encontrar paus, eu posso encontrar bocetas, mas assim, com uma pessoa amiga que você considera muito, em condições tais que não se permitem riscos, é coisa rara. Nunca foi caso de amor à primeira vista, nem de paixão recolhida. Se foi, foi tudo sublimado pela galhardia ligeira dos nossos encontros.
O que as paredes não disseram não fez falta quando você saiu do banheiro e me viu ali, de frente. Foi de igual para igual, reconheço. Nos agarramos com desejo idêntico. Fui tão caça ou caçador quanto você. Você de salto estava mais alta, e me acolhia quando eu te procurava. Fiquei no meio de você durante um tempo. Seu corpo generoso me deu regalias. Você, grande, parecia não acabar nunca. Onde eu te buscava te encontrava, e via que tinha muito mais de você me esperando. Foi uma festa, éramos só nos dois.
Vamos à boca, ao primeiro beijo. Você me enganou. Sempre achei que sua boca era pequena, mas quase caí dentro dela. Na verdade voei pra dentro dela quando nos catamos em frente ao banheiro, do lado da pia de uso comum. Seus dentes são dentinhos, eu gosto, mas sua língua foi o que mais que me seduziu. Você gosta de enfiar hein? Chupei e lambi sua língua dentro da minha boca, ela é do tipo lisinha, que eu gosto bem. Não sei como, você deixava ela fininha como a de uma serpente, e ficava mexendo de um lado para o outro, rapidinho.
Não sei se você se acalmou um pouco, ou se eu me impus, chegou uma hora que eu fiz o que gosto. Te peguei pela nunca, puxei seu cabelo e enfiei minha língua na sua boca. Se bem que, a essa altura, ela já quisesse seus outros buracos. Mas me diverti brincando com ela no seu ouvido, usei até para responder a uma provocação sua: conheci, sim, muitas mulheres, e menti dizendo que você era mais especial que as outras – nunca tente se comparar com as outras, saiba que naquela noite você bem que era única, não queria mais ninguém. E isso já está muito bom. Sabe, não havia obviedade no nosso encontro, embora se alguém nos visse diria “é óbvio, têm tudo a ver”. Se nos conhecesse, teria de guardar segredo. Minha língua queria muito mais. Não tinha como. Ela se salgou um pouco – e a sua também – com o suor do pescoço, do rosto, dos pingos que já nos escorriam pela testa. Naquela noite de verão, nossos beijos eram como uma lambida de sol do meio-dia.
Incrível como os seus peitos são macios. Grandes e macios. Você, de salto alto, deixava minha cabeça mais próxima deles do que de sua cabeça. Não dava para te dar um amasso macho-patriarcal, tipo beijinho na testa. Era só baixar um pouco e seus peitos vinham à boca, ao nariz. Fiz isso, me senti quase um menino bolinando a “tia” mais velha que deseja iniciar o jovem. Perdi o equilíbrio porque eles, os seus seios, me levaram não sei pra onde, só sei que pra continuar assim era preciso estar deitado. Voltei a mim rapidinho para não perder o resto. Te encostei naquela pia de uso comum, que fica fora dos banheiros pra quem quer se pentear, ou retocar a maquiagem. Estávamos borrados e descabelados e o espelho não era mais que testemunha. Aliás, ainda bem que ele ficou contra suas costas, se ousássemos olhar para ele, você sentiria culpa e eu, de certo modo, também. Ia ter que pensar “bem, o problema é dela” ou “não queria ser o macho dela”. Mas não pensei isso, nem você. Encostada na pia, abri suas pernas com a minha. Foi como se dissesse “demorou”. Senti todo aquele calor entre as suas pernas, e você sentiu, com aquele vestido fino que te cobria, como eu estava reagindo à temperatura.
Não dava mais para continuar daquele jeito, e sabíamos que tudo teria de parar ali. Concordamos em descer antes que eu levantasse o seu vestido e enfiasse a mão por dentro da sua calcinha. Que merda é a lucidez. Fomos para a mesa, onde nosso amigo nos esperava. Ele percebeu, mas evitou a ironia, ou teria perguntado se tivemos uma crise de disenteria. Sabe que banheiros guardam coisas que não gostamos de mostrar. E que talvez fosse melhor ele não querer saber o que deixamos lá. Melhor morrer inocente nessa história.
A despedida foi de camuflagem. Você levou nosso amigo embora, e também um pedaço meu. Não entendi, ficou um vazio. Era pra eu ir embora de ego em riste. Mas ficou claro que o que começara ali era a apoteose de um encontro, mais não haveria. Foi o presente possível. Um segredo que só você, eu, as portas e as paredes do banheiro daquele bar partilhamos.
EDGARD REYMANN
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:: fevereiro 1, 2004 05:50 PM