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Meu Deus-Tornado
por João Filho

sinto abalada minha calma,
embriagada minh´alma
efeito da tua sedução
oh minha romântica senhora tentação
não deixes que eu venha sucumbir
nesse vendaval de paixão

jamais pensei em minha vida
sentir tamanha emoção
será que o amor por ironia
deu-me essa fantasia
vestida de obsessão?
a ti confesso que me apaixonei.
será uma maldição? não sei...

mesmo não sendo desvendado, grapho: sendo Pássaros somos propensos ao estilingue, Baby. comungue comigo meu Deus-Tornado. comungue do coxo, das idéias-vísceras conosco alojadas pr’eu preparar tua pele pras sucosidades; não é o nariz, este daqui, que pretendo enfiá-la, na racha, é o faro impregnado de tua umidade. cole mais em mim. phoda-me... possessividade amada. palindrômica. é só por Você, Baby, que azaro a estada nesse mundo ingrata. a phoda cósmica está (nem pense estrelas) na racha molhada. suportarei?! eu o phedelho-phodinha desejo quebrá-la, Baby, quebrá-la! naquela ruindade que só Deus que mata.

acasala-se (sim, Você) com meu tratado da Bio-Busça, Baby, a Mather, porque sou serei o cara que saboreia soberano as filigranas da sua buça, trás-pra-frente, palindrômica, adorabilíssima’ave, és Tu; venha, regresse comigo as Covas, trepe nos galhos, mastiguemos a renitência dessa inquirição imbecil que não cessa – o que seremos? nem-nem, se nem somos. agora’que-sou bardo taquicardíaco, se antes já melava a honra, agora naufrago e Você é culpada. lembra-se do metrô de Cortázar? eu, ratio-acuada, que da descrença nem mágoa, sei o sabor da faca, idolátro-te!, isso!, Baby, de quem cultua e cospe, pois é palavra saphada.

ao término do desgaste do chumbaço q’eu cultivava no peito, (bolaço de chumbo que na entranha fagulhava e que quase me calava) pós esse desbaste, até o tal não passar de grão, crendo-o acabado, aí... Você, Baby, Você meu Deus-Tornado escalavra esse peito opresso; quem és tu Pássaro?! porque se irreal és, nem disfarças, e eu que nunca desci do chão me esburaco, aphundo! volta, Baby, volta comigo pros Covários, nem fome nem sede, secarmos. sim, darling, é a maldição do samba essa desconsertação toda que nos macera. o samba.

estaremos fadados ao ferimento?! como graphá-la, Baby?! como graphá-la, literatura é piada, toda música estraçalha, se ando comigo dentro vais pesando a passada, ladeiras, esquinas, o mundo-mapa na sua palma. da cinzura dum céu de concreto viestes para esfarelar minha ratio doentia que é tão volátil, tão volátil... que se descuido é impraticável. e Você... Você vem dessa nebulosidade e... ah! ssssssssssssssssshuumm como desejo quebrá-la, quebrá-la! o xingo vem ao graphá-la, mas retorno ao que acho controle; sabe, Baby, quem encontra seu Pássaro e ao voar copula fica repetitivo, entra em estado de-graça, dá a fuça a pancada.

fui das palafitas aos palácios, Baby. nascer fudido nada gera, e todos esses caras, (sim minha Sanguinária, meu Deus-Tornado que se aninha nas tripas) esses caras que da dureza arrancaram música, sendo que eles eram o próprio pé de esquina e não a escada; os caras – que carregamos conosco desde o primogênito choro aqui na estada. chupá-la, buçaminha; quais valores?! naquela Cova sem sede sem fome, culpa necas, numa duidade dolorosa, lembra-se, Baby? o demônio do amor no Éden nos trancafiou; esses caras, é tudo que temos pra’não abrirmos a gaiola e sem asas, apesar de Pássaros, deslizarmos no vazio como Ana C. Torquato que sabia e fez.

esta é uma carta? a taquicardia impede de continuar a graphá-la. mas por poeta-perrengue sou a persistência patética desejando quebrá-la. Baby!, Baby!, Baby! – ferozmente cantada! como o Itamar que viu o coração fora pulsar, lembra-se, Baby? era entre lençóis, sua brancura gozosa que me contava. desarrumado meu corpo caiu capenga, o tempo estourara. e nós – lágrima’lágrima’lágrima...

sim, Baby, já sei doar sem troco. somos. somados. e ao sugá-la tens a menina nos lábios ainda rachados dum acidente sem culpados, lembra-se? densos cabelos, negrura que enreda meus cachos, suados’colados, e eu a penetrá-la, urravas! (entre) urravas! (entre’dizia: phodemos como cães!) e eu desejando rasgá-la! sssssssssssssssshhhuumm, se és irreal, nem disfarças. andando meu corpo esbarra e esbarram nele e eu brutal palavro – não reconheces filhodaputa quando Amor bate num cara?! não vês, seu bosta, q’eu sou uma lágrima num cara?! cuidado comigo, matar não é metáfora.

agora choro. quem enxugará minhalma? a taquicardia não passa. Baby, como é difícil graphá-la! desejando que o milésimo maligno desse graphar não fosse metáfora. ah..., Baby, somente Você entende essa tara. sim, não procuro esclarecer nada, desentender tudo, eis a queima-queima do gozoso que... (suspiro) é verdade, Baby, não adianta graphá-la. então me rascunhe em nanquim, Baby, que é modo de menos sofrer, mesmo como dizes: eu não poder vê-los na lonjura que nos esmaga.

percebes a insistência dessa rima-ritmo? percebes o canibalismo autodevorativo? sim, claro..., se somos um! não entrelaçados, mas phundidos.

taquicardia é graphá-la. os humanos borram ao toparem com seu Deus-Tornado; borram, pois são arrancados do que consideram solo, e reverenciam medrosos o turbilhão que descabela a paisagem. vem, Baby!, vem meu Deus-Tornado!, rodopie no peito desse vosso vassalo, reparta-o entre os cães danados.

phoda-me, Baby, agora’sou’suave. sim... feito gato, ronronando nosso desastre. enredo-me... sou’suave. o suave-silêncio que a taquicardia cala.

a solidão me desnuda nessa boca de noite, desespero não me basta, ah... Baby, faço o quê pra que meu choro não seja apenas metáfora? beber da grande Busça-Mather, Baby, beber da longuíssima e devassa Tradição. descole-se do tempo, cole-se mais a mim, ssssssssssssssssssssssshuumm, depois que me chupas sua boca é dulcíssima, engula amormeu, engula minhalma, dessedente-a atrozmente.

durmo. um torpor me domina, leio Bataille e esporro em suas nádegas. com cuidado no cu eu desejei rasgá-la! sim, estou dentro a esporrá-la. meninaminha, nomeá-la pra quê? se o gozo, a carne pulsante será apenas metáfora?! pra quê nomeá-la, se a taquicardia, a insônia, os demônios amorosos, minha ratio doentia é apenas palavra?! como absorvê-la sendo apenas parole?! quando percebeste os séculos dessa minha carcaça, espantado quase que sufoco de-graça, o que fazer então para não ser apenas metá...?! desmontei Deus, costumes, moral e cheguei a cristalinidade que não possui nenhuma palavra, sim, Baby, cri que tinha me desligado, milênios num átimo, dessa humanidade, aí... vem Você meu Deus-Tornado e me escalavra; o medo?! o cagaço?! a treva na tripa?! mandei as favas!

choveu em minhalma, e ternurento tanto que nada me salva. por que Baby, por que é tão dolorosa a estada? percebes como calafrio? tremura levada à lágrima? (chora longamente), não vês, meninaminha, que me gasto, gasto, gasto... e nada me salva. seus pêlos: subo pelos pés, panturrilhas, instalo-me na buça, minha boca se impregna de sua baba, (a taquicardia, Baby?! tá aqui acompanhada, não larga), phoda-me, Baby, seu suave-silêncio é melodia pro bicho nascido da inconseqüência. calo-me.

não posso, não poderia, amormeu, sendo Você meu mantra; quem no vôo copula com seu Pássaro torna-se enfadonho, não vês? não para o Pássaro milagrosamente encontrado e liberto-liberto, mas para quem se aventurar a lê-los. e para se ler esta chama é vital tornar-se diabo.

estou lambendo suas cartas. frase a frase. palavra a palavra. a tipographia já se embaça, mancha-me a língua, e eu suíno sedento lambo até derreter cada palavra. o que fazer para não graphá-la?! o quê, Baby?! percebes o quanto me alongo nessa derrocada?! Baby, quanto desejei rasgá-la! aqui caberia o berro (nesta página) que a taquicardia injeta? meu coraçãozinho, Baby, funcionando por cuspidelas, as esguichadelas, desagüenta-se e pipoca palavra. aqui (nesta página) caberia o verbo que tento graphá-la?! etc... etc... etc... mais não posso... não’posso... meu Pássaro-Pássaro. //


JOÃO FILHO



| comentários (25)

:: fevereiro 4, 2004 10:11 PM


JOÃO Filho é poeta e prosador. Da Bahia comanda o blog Hypperghettos.

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