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Anacronismo
por Ana Beatriz Guerra

Confesso. Culpada. Guilty as charged. Fui assistir a “Cold Mountain” só por causa do Jude Law. Luxúria, luxúria. Eu gosto assim. Não cria expectativas. Quem liga pra Oscar e Globo de Ouro?

cold_mountain.jpg“Cold Mountain” é o tipo de filme que a Academia premiaria com louvor alguns anos atrás. Mas a Academia está mudando. O filme não concorre como melhor do ano, comparando com a indicação ao Globo de Ouro. Está no páreo com trilha sonora, edição, fotografia, ator principal e atriz coadjuvante. Aliás, Renée Zellweger faturou o Globo de Ouro por sua atuação. Como, não me perguntem. O que é aquela mulher? Todo mundo está dizendo e repito: caricata. Arranca risos previsíveis. Parece que injetou silicone nos lábios. Caipira bicuda.

Por que a Academia premiaria “Cold Mountain”? Porque é um filme estupidamente romântico. E a estatueta adorava cair nas mãos de quem criasse histórias feitas pra nos debulharmos em lágrimas. Tem até referência a “O Morro dos Ventos Uivantes”, o livro, não o filme, por razões óbvias. Na cinematografia pós-moderna, nada mais anacrônico que fazer citação de livro. Ainda mais se teve remake nas telas.

Nada mais romântico que ambientar uma história de amor durante uma guerra. Imagine um homem e uma mulher que trocam poucas palavras e um beijo técnico e amargam a distância imposta pela batalha. Oh, que dor no peito! Meu amado, te aguardarei no meu leito de morte...

Mas os tempos são outros. O personagem de Jude Law é um desertor. E não sei qual mocinha romântica aceitaria nos seus braços alguém menos que um herói. Antes covarde que morto?

Pra ser romântico, não precisa ser estúpido. Ainda que o filme guarde uma ou outra surpresa, carrega um arsenal poderoso de clichês, incluindo o gran finale, que eu, romanticamente, esperei que fosse diferente.

As atuações estão médias. Nicole Kidman e Jude Law não convencem como par. Na única cena de sexo protagonizada pelos dois, ficou evidente a frieza dela. E a inadequação de ambos.

Em contrapartida, pude quase sentir o cheiro dele atravessando a película. Que homem... Talvez aí estivesse falando mais alto minha preferência sexual e não meu gosto cinematográfico. Mas eu já tinha dito que sou culpada. Culpadíssima. //


ANA BEATRIZ GUERRA


COLD MOUNTAIN
“Cold mountain”, de Anthony Minghella (EUA/Romênia, 2003).
Drama. 155 minutos.
http://www.coldmountainmovie.com/



| comentários (3)

:: fevereiro 19, 2004 11:47 AM


ANA Beatriz Guerra, 24, carioca, jornalista, publicitária e multitarefa, rega seu blog diariamente, está grávida de um romance e é cinéfila nas horas vagas.

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