 A Solidão do Livro Emprestado, de André Giusti
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A Solidão do Livro Emprestado acaba de ser visto por uma amiga minha, que estava agora, aqui ao meu lado. Visto mesmo. Um título para ser visto. Ela tocou no livro e quis ter escrito o título e quis ler e quis saber.
1) Um título encantador numa sucessão de outros encantos.
2) A ausência de estilo.
Oscilações na voz narradora com um discreto fio condutor: o apreço pelo enredo.
3) Uma escrita nada andrógina, mas que nada tem da literatura homenzinho que me irrita em alguns novos autores e também em consagrados ( até alguns trechos de Henry Miller, o idolatrado, tem esta inflexão “homenzinho”).
Ao lado de contos que eu gostaria de ver alterados a meu gosto (que não me pretendo resenhista e muito menos crítica, é meu gosto que exponho aqui) há verdadeiras desarrumações da estante de novidades estéticas, por estarem alheios a essa procura da novidade estética (quase uma metáfora a esse repúdio à inovações formais o conto Novas Tendências). Ele freqüentaria a escola de caras como Bernardo Carvalho, enredo e apuro. Como no conto do presidente que decide sair para literalmente matar o povo (não entrego o nome do conto, leia o livro todo). E conduz seus personagens com rédeas firmes, em histórias belamente comuns, como em Histórias de Amor (2) e no conto que dá nome ao livro.
Mas se eu tivesse que recomendar só um conto para defender o André, escolheria Maverick 8. Na primeira pessoa o autor está confortável e incômodo, uma mistura agradável de se ler pela construção delicada na qual isso resulta. Uma narrativa que mexe com sabedoria em alguns arquétipos universais: o amor ao pai, a morte, o renascimento.
Uma narrativa para ser lida em casa, ou pelo menos longe dos olhares que poderiam estragar o perfeito prazer de sentir lágrimas, arte e nostalgia se misturarem.
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:: março 8, 2004 03:40 PM