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Tropeçando no buraco
por Maria de Fátima Fernandes Pereira

[do Tropeçando na chuva]


Segunda-feira, Outubro 20, 2003

O momento tropeço total da semana passada está relatado no blog da Ciça, no post do dia 17 de outubro, intitulado PARA SAIR DO BURACO.

Minha desorganização mental habitual me deixou fora daqui por alguns dias, mas vou contar para vocês a minha versão desse momento que só poderia ter acontecido assim inexperado, inacreditável como todos os outros.

Felizes estávamos todos por causa da maravilhosa projeção na mídia que o lançamento da revista Paralelos estava tendo semana passada. Na quinta, 16 de outubro, tínhamos que tirar fotos para o JB e para O Globo. Caí meio de pára-quedas nessas fotos, afinal quase ninguém lê o que escrevo e não faço parte da revista. Porém, como ia tocar com o João e a Ciça no sábado, fui convidada para aparecer também.

Combinamos de nos encontrarmos no centro para irmos juntos. Estavam todos muito cansados e, vivendo esse momento de guerra por sobrevivência, o ar nos nossos rostos era um tanto abatido, mas estávamos contentes de estar juntos.

O primeiro tropeço foi chegar ao ponto de encontro e dar de cara com o estabelecimento fechado. Graças à tecnologia pudemos escolher outro lugar e comunicar aos interessados. Mesmo assim não foi muito confortável a espera, porque tudo que era restaurante da Cinelândia estava fechado naquela hora da manhã. Ficamos em pé esperando. Depois de alguns minutos a Mara chegou e disse que o Augusto ia passar de carro para nos dar uma carona até o Armazém do Rio.

Maravilha. Confraternização de parte da mais nova e promissora safra de escritores do Rio de Janeiro - Cecilia Giannetti, João Paulo Cuenca, Mara Coradello, Augusto Sales - e eu, Maria de Fátima, o papagaio de pirata. Parecíamos cinco crianças animadas com a excursão do colégio. Em um ponto do trajeto Mara diz, comentando uma conversa com seu pai: "Pai pode ficar tranqüilo que não estamos indo tirar foto para página policial." Guardem esta frase para relacioná-la ao desfecho de nossa história.

Lá chegando, era a hora de estacionar. De repente um barulho e o carro se inclinou drasticamente para a frente. Ninguém do lado direito conseguia abrir as portas por conta do grau de inclinação do carro. Saímos todos pela esquerda para ver o que tinha acontecido e pensar no que fazer para reverter a situação. O Augusto não viu um bueiro aberto e o carro ficou preso com a roda direita da frente no buraco. Ele tentou dar ré, mas a tração do carro dele é nas rodas dianteiras, então não houve força pra sair. A sorte foi que se tratava de um carro muito leve, então seria tranqüilo erguê-lo para fora do buraco. Foi o que fizemos. Cada um se posicionou e conseguimos liberar o carro. O problema foi que a força que tivemos que fazer para concluir a operação de resgate foi de tal intensidade que o veículo começou a se dirigir para o meio da rua. E a rua estava com um fluxo elevado e rápido de ônibus. Num frio reflexo, me lancei na traseira do carro e fiquei fazendo força para conter seu movimento. Foi aí que o caos se instaurou. Cecilia e Mara soltaram o carro. Ciça, em pânico, ficou muda e sem ação enquanto Mara gritava desesperada. João ainda tentou por um momento puxar o carro, mas desistiu inaginando que haveria um acidente de proporções apocalípticas e que a melhor coisa a fazer seria largar tudo e se afastar para não ser atingido pelos destroços. O Augusto estava com um olhar absorto e só foi me ajudar na traseira do carro depois que um ônibus enorme em alta velocidade quase abreviou a minha existência por um palmo. Enfim, conseguimos juntos fazer o carro sair do meio da rua e em mais um frio reflexo, abri calmamente a porta do carro e puxei o freio de mão. No meu campo de visão as coisas não pareciam tão assustadoras, até porque eu estava de costas e não tive a dimensão do que estava se passando da mesma forma que eles que estavam de frente para a rua.

No fim de tudo tivemos um acesso de riso, afinal com quem mais uma coisa dessas poderia acontecer?

É Mara, foi por um palmo que a gente não foi parar na página policial.

Agora vejam a foto de O Globo no Prosa e Verso do dia 18 levando esse episódio em consideração. Com certeza a sensação será diferente.

Prosa_e_Verso_web.jpg


Nós cinco no círculo vermelho.

MARIA DE FÁTIMA



| comentários (2)

:: abril 5, 2004 10:14 AM



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