paralelos.org
» ARQUIVO

Destaques

-   Meu Deus-Tornado
por João Filho

-   Amor
por Nelson de Oliveira

-   Minicontos do desconforto (xi-xx)
por André Machado

-   O Baile
por Jorge Cardoso

-   O óbvio ululante e eu
por Márvio dos Anjos

-   Pro Beleléu
por André Sant'Anna

-   ET de Cozinha
por Indigo

-   Iemanjá, alcatrão e areia no Posto 6
por Augusto Sales

-   Graves e poros
por Cecilia Giannetti

» ARQUIVO ATUAL



Ludo
por Ana Paula Mangeon

[do Coletânea de Pensamentos Desconexos]

Sábado, Abril 10, 2004

Ludo

O jogo era muito simples e por isso precisávamos complicar as coisas. Somos viciados nos poréns, nas metáforas incompreensíveis e nos subterfúgios dúbios. Temos sim que ter questões em que pensar entre babas e travesseiros solitários. Precisamos chamar-nos os nomes vez ou outra sobre camas que não respondem por tais alcunhas, até por que, em verdade, ante o que poderíamos fazer e não fazemos qualquer outro nome pareceria apelido.

Não durmo durante a noite recriando gestos e compondo mentiras. Revivo minhas ilusões uma a uma entre derrames de lágrimas e asmas e brisas nuas e luares que violentam as cortinas desfazendo meu breu em pratas. Abro as portas, mas você só vem se elas estão todas trancadas e quando você bate eu já não ouço, pois somos filhos de um deslize do destino, a gravidez indesejada do tempo descoberta quando já não era possível intervenção.

Vivemos um amor bastardo, negado por nós, pela sorte do mundo. E negado seria por Deus também caso houvesse, se houver. Vivemos uma promessa falsa, uma felicidade que sucumbe nos desencontros, então inventamo-la. Eu aqui, você aí.

O jogo era muito simples e por isso eu atravessei a rua e você olhou para o chão. E a gente caminhou em círculos sempre nos vendo passar na contra mão da nossa história.

- Ana Paula Mangeon, 9:00 PM
//



| comentários (4)

:: abril 5, 2004 12:26 PM



Home Literatura & afins Crème de la Crème Feira Livre Modo de usar Cadastro Busca Contato