paralelos.org
» ARQUIVO

Destaques

-   Meu Deus-Tornado
por João Filho

-   Amor
por Nelson de Oliveira

-   Minicontos do desconforto (xi-xx)
por André Machado

-   O Baile
por Jorge Cardoso

-   O óbvio ululante e eu
por Márvio dos Anjos

-   Pro Beleléu
por André Sant'Anna

-   ET de Cozinha
por Indigo

-   Iemanjá, alcatrão e areia no Posto 6
por Augusto Sales

-   Graves e poros
por Cecilia Giannetti

» ARQUIVO ATUAL



Especial Grand Guignol
por Jorge Rocha

EDITORIAL GRAND GUIGNOL

Há um balde de tripas e sangue em cada texto

[Quer saber o que é Grand Guignol? Então visite GrandGuignol.com]


Tem estômago fraco, caro leitor ?
[putz, isso ficou muito cine trash. melhor tentar de novo]
Abandonai toda a esperança, vós que aqui acessais.
[naaaahhh]
Cérebro derretendo. Calor. Prazo já no fim. Mail chegando. Melhor checar.

Essa foi minha redenção. O que poupou vocês de novas investidas trashentas para o começo deste texto. Eu estava regurgitando umas idéias escabrosas sobre o título e a forma de começar o editorial desta edição especial, quando Fábio Fernandes veio com a sugestão que foi prontamente aceita. A sutil brincadeira de açougueiro com o livro “Há uma gota de sangue em cada poema”, de Manuel Bandeira, serviu perfeitamente para esta edição grand guignol de Paralelos. Sim. Grand guignol. Esta manifestação teatral que surgiu na França, reunindo escatologia, perversão, tripas, sangue, feridas e pústulas. E gente fazendo caretas de nojo. Ou lambendo os beiços. Ou os dois. Esta estética que acabou sendo utilizada por figuras como Russ Meyer, Zé do Caixão, Petter Baiestorf, Roger Corman e que tais, além de enredos gore-splatter-core por vários cantos do mundo.

É isso que vocês encontrarão aqui: cuidado para não se sujarem.

Com o título na cabeça, me deparei com outra questão: uma edição especial paralélica que pretende revitalizar o grand guignol tem que ser bastante estilosa. Precisávamos chamar a atenção para este estilo literário utilizando um forte elemento diferencial. Mãos sendo decepadas costumam chamam atenção. Mas eu precisava – e ainda preciso, ora bolas – das minhas para digitar este editorial. E para outras coisas mais que não vêm ao caso agora.

Forçando o cérebro carunchento, acabei encontrando um meio de matar – opa ! – dois coelhos com uma só cajadada. Inspirado no tema escolhido, fui às profundezas para selecionar os prosadores desta edição. Às profundezas da Internet, ora bolas. Nada de cogitar pactos: cê tá pensando que eu sou Lóki ? Na minha busca, soquei as portas de entrada do Orkut, essa comunidade virtual que têm dado o que falar ultimamente, por conta da capacidade de agregar pessoas e, supostamente, por não ter uma função bem definida. Na comunidade Paralelos, criada por Augusto Sales, abri um tópico convidando escritores a participar desta edição especial guignolesca, na tentativa de também verificar qual seria a resposta obtida. Traduzindo: eu queria ver qual era o grau de interesse e interação em uma comunidade desse tipo.

A resposta ?

Alvoroço geral com a proposta. Que inicialmente era reunir 13 pessoas cadastradas no Orkut e 13 pessoas “de fora”. O furdunço foi tão grande, com várias pessoas querendo saber mais sobre grand guignol e outras se dispondo prontamente e escrever e ilustrar, que acabei mudando de idéia. A edição passou então a ser composta quase que completamente pelos escritores e ilustradores da comunidade Paralelos. Que simplesmente destrincharam a Língua, a puta-que-manda, segundo grafou João Filho.

E por falar em João Filho, a trinca de jotas – a saber, este que vos escreve, o malacomano já citado e Jorge Cardoso: as três pontas do tridente – volta a deixar sua marca, desta vez mostrando com quantas tripas e substâncias orgânicas se faz literatura tarja preta. Estes dois escritores não foram catados no Orkut, mas já haviam deixado aos meus cuidados, textos guignolescos; então, nada melhor do que utiliza-los nesta edição. Assim como “Narinas”, de Wir Caetano, que foi recrutado pessoalmente – o conto faz parte de um livro que foi interrompido.

Convido então vocês a entrarem em um universo paralelo, habitado por cientistas à la Dr. Phibes, mãos cortadas, alucinações com intelectuais [?], vizinhos sendo cortados em pedacinhos, um homem-tronco, evisceração de consciência, guetos auto-destrutivos, dor de dente em campo de batalha, banquetes sanguinolentos e outras maravilhas sádicas. Assim, comprovem que temos aqui um bando de açougueiros das letrinhas, ávidos por líteroevisceração. E almocem. Jantem. Se puderem.

Ah, sim. Antes que eu me esqueça:
Grogogoh para vocês.


JORGE ROCHA,



| comentários (5)

:: julho 16, 2004 04:52 PM


Jorge Rocha é jornalista e carioca de Campos dos Goytacazes. Mestrando em Cognição e Linguagem na Universidade Estadual do Norte Fluminense, trabalhou como repórter cultural nos jornais A Cidade e Folha da Manhã.

Home Literatura & afins Crème de la Crème Feira Livre Modo de usar Cadastro Busca Contato