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Numa noite paulistana
por Emanuel Campos

Em uma noite fria, de garoa leve, que apenas deixa úmido o agasalho de lã que ela vestia. E ela sorria apertando de leve os braços, uns contra os outros, buscando se aquecer contra o frio ventinho da noite.

A cidade, apesar de tudo, da chuva e do frio, estava linda. E ela olhava apaixonada os miasmas que as luzes dos postes formavam na garota. Era um pequeno espectro de luz a cada 20 metros, e ela estava maravilhada.

Havia saído para rever as amigas, falar besteiras, beber um pouco, por que as mulheres também fazem isto e falar dos homens de suas vidas. Mas ela passou a conversa toda com um sorriso bobo no rosto, e a mente toda voltada para ele. Ela amava e sorria com a dorzinha leve de seu peito, uma dorzinha que a fazia suspirar a cada cinco minutos e suas amigas, que já tinham notado, sorriam, riam dela e ela não notava. Como notar sem estar vendo, sem estar lá? Ela estava a milhas de lá. E a horas também, estava de volta naquela manhã onde se conheceram.

Ela trabalhava centrada, cheia de problemas para resolver, de um lado o cliente querendo solução, de outro os chefes querendo que ela resolva o problema e ela pensando como foi parar naquela situação, o produto não foi ela quem vendeu, não foi ela que prometeu o que o produto não fazia de fato e, dentro todo aquele estorvo ainda tinha que ir receber o chato do novo estagiário e dizer aquele roteiro de sempre, olá sou fulana, bem vindo, tomara que não me peça nada, etc, etc, etc.

Mas ele era lindo, e ela não soube o que dizer. Em pouco tempo ele roubou a cena, e logo depois disso o coração dela, e eles ficaram amigos, se aproximaram. Passaram de almoçar juntos a jantar juntos, pegaram cinemas, e um grande amor, regado a nada além de um sentimento nascia. E ela recordava disso, enquanto caminhava boba pelas ruas de São Paulo, jardins, depois de um jantar com as amigas, vendo as luzes da rua criando miasmas, espectros de arco-íris contra a garoa fina que caía, tão fina que apenas lhe umidificava o casaco de lã, e seus longos e lindo cabelos.


EMANUEL CAMPOS – Paulista, paulistano e apaixonadíssimo... Cronista eventual, 24 anos, formando tecnólogo mecânico pela FATEC-SP. No mundo virtual publicou para Beto Hora (www.betohora.com.br), O Pulso (www.opulso.com.br), Simplicíssimo (www.simplicissimo.com.br); resenhou para o IG Ler (www.igler.com.br), Rede RPG & SpellBrasil (www.rederpg.com.br) (www.spellbrasil.com.br); e, vez por outra, toca o mundo real através do canal PNOB, (www.pnob.com.br). Pode ser contactado no e-mail: emanuel.campos@uol.com.br.



| comentários (1)

:: outubro 30, 2004 10:38 PM



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