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Especial Flip 2005
por Delfin

EDITORIAL

A festa dos caminhos que se bifurcam

Insistem em tirar o Y do nome da cidade. O mesmo Y que mostra, graficamente, que não há apenas um caminho a se seguir. Por mais que se queira oficialmente adotar o I para a grafia da cidade histórica, a retidão desta letra não combina com suas ruas tortuosas e seus descaminhos, que sempre levam os desavisados a lugares inesperados.

Isto já foi demonstrado no ano passado, na segunda edição da Festa Literária Internacional de Parat(i?). Novos projetos, como o Grupo Mimeógrafo (que gerou a editora FinaFlor) e as Edições K (que inspiram, por exemplo, a coleção De Bolso da editora 7Letras), surgiram para balançar o formalismo da FLIP, que, se em 2004 parecia um desflie de popstars literários, neste ano se pretende mais intelectual.

Ainda assim, há espaço para todos. Um espaço que se expande à medida que se pretende dificultar as iniciativas independentes. Afinal, neste ano, ingressos são pagos até para se ver palestras de telões. Há um encarecimento da estadia na feira, inversamente proporcional aos investimentos de patrocínio nela feitos. Os efeitos se sentem, com muita ênfase, na Oficina Veredas da Literatura, que, neste ano, não premia o esforço dos jovens escritores em busca de uma brecha no mercado, tão difícil quanto andar em linha reta nas ruas de uma Paraty chuvosa.

Serão quatro dias e cinco noites de tietagens, novidades, retrospectivas e perspectivas em relação à literatura do país (com alguns toques estrangeiros para apimentar o caldo cultural). De olho nisto está, inclusive, o cinema, que prepara um documentário sobre escritores no local mais apropriado: em sua própria festa. Que admite, sim, penetras, desde que eles tragam algo que contribua para que se continue a alegria.

Este especial de Paralelos procura refletir um pouco os muitos lados da feira. Há o oficial, o alternativo oficialmente aceito, o alternativo que se impõe de qualquer modo e, é claro, o lado que não se importa com nada. A esperança é de que este painel, que pretende ser mutante a cada dia deste mês (notadamente após a FLIP), consiga expor ao leitor que há sempre alternativas. E que nem todos os caminhos já foram trilhados.

Um deles pode, inclusive, estar à sua espera. Basta seguí-lo.

Delfin
Editor Convidado
k@delfin.com.br

Delin, 33 anos, é jornalista, designer gráfico, editor das Edições K e autor de “Kreuzwelträtsel” (lançado há um ano em Paraty) e “Se eu tivesse um machado”. Seu carro sempre será um Del Rey. Sua cor é laranja. Seu site é www.delfin.com.br.



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:: julho 7, 2005 07:56 AM



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