A construção prismática da narrativa permite ao leitor acompanhar as nuances
de cada personagem. As referências intertextuais pontuam de modo marcante o
romance. Beatriz, personagem introdutória, conduzirá o leitor pelo labirinto
de memórias de seus antepassados, fio por fio.
O romance está repleto de pretensões. Algumas bem sucedidas. A personagem
Catarina eximiamente está construída. Os ecos literários incomodam, talvez
por parecerem prova de uma erudição, talvez pela vontade de demarcar espaço.
O que é natural em um autor estreante.
A identidade está no centro da discussão do romance. Tanto dos inúmeros
personagens que desembocam na terra brasilis, quanto da narradora que
através das informações dos documentos e diários. É um romance da formação
não só de uma família, sintetiza naquele pequeno cosmo a elaboração de um
país.
Na autora Adriana Lisboa se percebe uma depuração. A maneira de escrever
está mais simples e nem por isso menos sofisticada. Os outros trabalhos têm
eixos mais reconhecíveis para o leitor,que sabe onde cada um desembocará.
Neste primeiro, apesar de todo esforço, a linha narrativa parece um pouco confusa quando migra de um para outro personagem. É um bom romance de
estréia.
MARIEL REIS
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:: fevereiro 11, 2007 05:30 PM