janeiro 02, 2006

Los Paralelos - Especial Literatura Hispânica

EDITORIAL*

Foi o pessoal da Amauta, uma pequena editora paulistana dedicada a publicar autores hispano-americanos importantes, mas que nunca foram lançados no Brasil, quem teve a sacada: há um verdadeiro Muro de Tordesilhas que separa o nosso país da Hispano-América. A idéia em si talvez não seja exatamente original, mas a expressão é mais do que uma simples frase de efeito. Retrata uma situação de fato, concreta e óbvia, patente a todos os olhos e ainda faz referência às raízes de explicações, e diferenças, históricas, culturais e políticas. Há muito tempo que o Muro existe e, apesar de tímidas tentativas aqui e ali de desmonta-lo, ele resiste, bravo e forte.

Mas, já que falei de obviedades, ninguém morrerá se eu disser mais uma: há muita gente escrevendo por estas américas todas, indo além e independente das sombras dos fodões-maiores, os eternos Garcia Márquez e Llosa & Companhia. Mais do que isso: tal como no Brasil existe uma nova vida literária, um novo fôlego, uma nova prespectiva, gente boa escrevendo bem!

Isso deve parecer um contra-senso para fundamentalistas literários que adoram se ajoelhar em milho e se chicotear enquanto choram “Guimarães Rosa morreu! Guimarães Rosa morreu!” (a tradução em termos continentais creio que ficaria algo do tipo: “Borges ha muerto! Borges ha muerto!”...). Paralelos nunca levou a sério estas limitações bestas, e a própria existência de um movimento de articulação de novos e novíssimos autores iniciado na década de 90 e que ganhou corpo com a adesão dos novíssimos nos anos 00 serve para mostrar o vigor, ou teimosia, desta literatura mais recente.

Continuando a identificar, publicar e integrar estes autores que estão trabalhando e jorrando sua escrita sem se preocupar com nossos fantasmas históricos, abrimos as portas para nossos hermanos hispano-americanos.

Com o Especial Los Paralelos pretendemos apresentar um pequeno recorte do que está acontecendo hoje em termos de literatura nas terras vizinhas e saber o que eles estão aprontando.

ATAHUALPA YUPANQUI e BRUCE LEE

Servirá também para começarmos a entender o por quê, afinal de contas, chegamos a esta situação. Pois devo dizer que esta não foi eternamente fixada por nenhum poder divino, nem inclusive existe há tanto tempo como se pode imaginar.

Lembro, por exemplo,... Sou do tempo em que os cinemas no Brasil eram obrigados a exibir produção brasileira, uma porcentagem em relação a filmes estrangeiros. Tenho a impressão de que essa lei ainda existe (ou estão tentando que volte). Na época, cumpriam. Qualquer coisa, desde que fosse brasileiro. O normal eram programas de noticiário, principalmente sobre futebol, e curtas. Desta forma, acabei assistindo a muitos filmes brasileiros, sem querer. Isso é para explicar porque, em um certo dia da minha adolescência, fui assistir um filme de kung-fu no centro da cidade (é, também sou do tempo que existiam vários cinemas no centro de São Paulo) (e é, adoro filmes de kung-fu, Bruce Lee e etc) e acabei vendo um documentário sobre a América Latina.

Era um curta que exibia o trabalho de um fotógrafo brasileiro que durante muitos anos percorreu as Américas de ponta a ponta. Não havia narração, só uma música. Não precisava narrador, as fotos eram o suficiente. Para mim, foi um impacto, a primeira vez em que tomei consciência real de um mundo fora da minha cidade (eu era pré-adolescente). Pela primeira vez, vi a miséria com outras roupagens, fome em outras línguas. E havia, ao mesmo tempo, um clima de dignidade, de força impressionantes. Aquilo era muito novo para mim, não entendia. E aquela música me tirava do sério. Posso dizer, sem sombra de dúvida, que naquele exato momento me tornei um ser político. Não lembro de nenhuma cena do filme que fui assistir, nem lembro alias qual era. Mas saí do cinema decidido a conhecer e entender melhor o que havia visto. Precisava saber de quem era a música e do que falava.

E conheci.

Deixei-me tragar por uma cultura vasta e poderosa, com uma história de revoltas e líderes interessantes, de lutas mortais, de sofrimentos atrozes e belezas inenarráveis. Conheci a história de Jose Martí, de Bolívar, San Martin. Das revoltas indígenas no Peru, dos mineiros da Bolívia, do ditador paraguaio. Li As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano e Bom dia para os defuntos, de Manuel Scorza, e Canto geral, de Neruda, e Siete ensayos de interprepación de la realidad peruana<.i>, do Mariátegui, quase que em seguida.

Depois adentrei por Gabriel Garcia Márquez, Ernesto Sabato, Mario Vargas Llosa, e tantos outros. Conheci o cinema do cubano Gutierrez Alea e do argentino Fernando Solanas. Ouvi a voz portentosa de Mercedes Sosa, Violeta Parra, Victor Jara, que derramavam poesia, amor, paixão, e política militante contra suas ditaduras.

Conheci uma outra América Latina quando era pré-adolescente, viciei-me e nunca mais me curei.

MAS HAVIA UMA EFERVESCÊNCIA GERAL E COMPARTILHADA

Isto é, estava no ar. Havia programas de rádio dedicados à música hispano-americana; programa de TV, na rede Globo!, apresentado por Chico Buarque e Caetano Veloso cantando junto com Mercedes Sosa; e os tais Garcia Márquez e companhia já eram os fodões, sem dúvida, mas ainda não estandardizados como agora.

Então, o que houve? Como o Muro de Tordesilhas pôde ser mantido de tal modo que hoje em dia não se conhece, nem se deseja conhecer, uma crescente produção literária como a dos argentinos, por exemplo?, pela qual seria possível mostrar um especial só deles.

Em uma conversa com Ricardo Lísias (um camarada interessante: com trinta anos, já tem três livros publicados, “Duas Praças”, “Cobertor de Estrelas”, “Dos Nervos”, e está partindo para um pós-doutorado em Literatura Latino-americana, após um mestrado e um doutorado em literatura brasileira!), foi possível vislumbrar um encaminhamento. Sua Pós vai tratar mais especificamente da literatura de repressão chilena, argentina e brasileira. Uma primeira constatação é a desta anterior cumplicidade política da resistência às ditaduras e que foi diluindo à medida que os movimentos sociais se agitavam e terminavam suas respectivas. Enquanto os processos de derrubada das ditaduras seguiram formas muito diferenciadas (na Argentina e Chile mais violentas e objetivas do que no Brasil, mais ‘negociada’), a literatura (e a cultura) pós - ditatorial segue igualmente uma maior diferenciação. Isto é, há uma espécie de profunda necessidade para os argentinos e chilenos de repensarem e discutirem e reimaginarem seus países e seus respectivos períodos repressionais e sua relação com a atualidade (veja-se a literatura do jovem argentino Martin Kohan, por exemplo) (veja-se os apuros de um Pinochet que a muito custo está se mantendo a salvo no Chile, outro exemplo) enquanto que no Brasil parece existir uma necessidade contrária e absoluta de se esquecer, de deixar de lado, de não ser ‘político’, em trabalhar no lado de experimentação simbólica e de linguagem. Há um verdadeiro horror nas palavras "Política", "Partido", "Ideologia", e uma terrível confusão entre os termos que se confundem com os problemas de governo (que não deixam de ser desestimulantes, por certo).

Uma outra obviedade (mais uma!) é o constatar de um absurdo desconhecimento desta América Hispânica. Naquela mesa com Ricardo Lísias nos fizemos um pequeno teste e nos perguntamos qual seria um puta autor da Bolívia. Ficamos nos olhando, refletindo sobre nossa bruta ignorância. Mais tarde, entrando na internet busquei os sites sobre a literatura boliviana e encontrei vários. Nunca duvidei que eles escrevessem; devem existir inclusive escritores extraordinários. Mas naquela noite no computador havia para mim somente nomes e nomes que não me diziam nada.

Pois bem, um dos principais objetivos deste especial é buscar estreitar a distância, acompanhar o movimento, diminuir a ignorância. Minha sim, minha assumida ignorância, e a de tantos outros, nem tão assumida.

Trabalho e projeto que não teriam vingado não fosse o empenho do Marcelo Barbão, da Editora Amauta, que mantém em Paralelos a coluna mensal "Tordesilhas", onde publica textos de autores hispânicos no original em espanhol e traduzidos para o português -- cabe mencionar que Marcelo Barbão foi responsável pela tradução dos textos apresentados nesta edição -- e o incentivo de Augusto Sales e a própria existência de Paralelos e o auxílio de tantos outros como Marcelino Freire (que intermediou alguns contatos), Maria Alzira Brum e dos próprios autores participantes e do pessoal da Amauta que, com sua batalha e suor, plantam semillas de inmensidad e esperanças, proporcionando-nos um belíssimo exemplo.

E assim estaremos contribuindo para a derrubada do Muro. Neste exato instante.

Em tempo: nosso site parceiro Cronópios, estreitando-nos em seu internético abraço cortazariano, divulga e disponibiliza alguns dos textos de "Los Paralelos", Valeu.


- (A música que ouvi naquele dia naquele cinema era Yo tengo tantos hermanos, de Atahualpa Yupanqui. Naquela época, sempre havia quem gritasse: "Toca Raúl" da mesma forma e na proporção de "Toca Gracias a la vida". Fico imaginando quem ainda sabe da existência de uma Mercedes Sosa, de um Victor Jara, ou de um Atahualpa Yupanqui)

Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.
En el valle, la montaña, en la pampa y en el mar.
Cada cual con sus trabajos, con sus sueños, cada cual
Con la esperanza adelante, con los recuerdos detrás.
Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.

Gente de mano caliente por eso de la amistad.
Con un lloro pa llorarlo, con un rezo pa rezar.
Con un horizonte abierto que siempre está más allá.
Y esa fuerza pa buscarlo con tesón y voluntad.
Cuando parece más cerca es cuando se aleja más.
Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar.

Y así seguimos andando, curtidos de soledad.
Nos perdemos por el mundo, nos volvemos á encontrar.
Y así nos reconocemos, por el lejano mirar,
Por la copla que mordemos, semilla de inmensidad.
Y así seguimos andando, curtidos de soledad.
Y en nosotros nuestros muertos pa que nadie quede atrás.
Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar,
Y una hermana muy hermosa que se llama Libertad !


CLAUDINEI VIEIRA
Editor Convidado

* Colaborou MARCELO BARBÃO

Posted by claudinei at 12:07 PM | Comments (0)

dezembro 03, 2005

Cartas, diários e gavetas entreabertas

EDITORIAL

Há quem diga que toda literatura é confessional. Mas a correspondência mantida durante anos entre escritores ou diários descobertos após a morte costumam atiçar a curiosidade de quem acredita que ali, sim, estarão revelados os mais íntimos segredos. E, muitas vezes, há a decepção de descobrir que não há nada que já não tivesse aparecido, mesmo que de forma sutil, ao longo da obra do autor.

Esse gênero não raro costuma cruzar a fronteira entre ficção e não-ficção e tem se mostrado um interessante elemento narrativo. O escritor japonês Junichiro Tanizaki, em seu romance A chave, leva ao extremo uma relação baseada em diários que desempenham o papel de unir os cônjuges. Marido e mulher escrevem, cada qual, um diário que a princípio deveria se manter a salvo dos olhos do outro. O leitor compartilha um jogo de esconde-esconde fascinante, em que ambos deliciam-se em descobrir e, principalmente, deixar-se revelar por meio das palavras escritas nos cadernos.

Nesta edição especial espreitamos cartas esquecidas sobre a mesa, vasculhamos diários entreabertos em gavetas mal fechadas e apuramos nossos ouvidos para confissões feitas a meia voz. Nossos resenhistas leram nas entrelinhas de livros que prometem expôr seus autores e nos mostram por que vida e obra costumam caminhar lado a lado.

Além disso, Paralelos lançou um desafio a dez escritores: revelar-se num texto confessional. São cartas, páginas de diários ou apenas digressões que pretendem ir além da literatura de cada um. Mas aqui surge Fernando Pessoa quase a nos alertar para a leitura que se segue: “o poeta é um fingidor/ finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente”.


Ronize Aline
Editora Convidada
meuemail@ronizealine.eti.br

Posted by ronialine at 01:19 PM | Comments (0)

outubro 16, 2005

Exercícios de Decomposição

EDITORIAL

Nos últimos e malfadados tempos, circularam pela capital mineira uma nova versão dos santos-do-pau-oco dos tempos da inconfidência: malas de dinheiro. Belo Horizonte, cidade com nome de cartão-postal, transformou-se no anti-cartão postal, com novos pontos turísticos incluídos em nossa paisagem. Que Igrejinha da Pampulha, que Rua do Amendoim, que nada: todo mundo queria mesmo saber era onde ficava o Banco Rural, a SMPB, o Retiro do Chalé, o BMG, a DNA. A cidade abasteceu-se de um raro turista: o turista daqui mesmo. Houve quem fizesse fotos na porta dos lugares citados na CPI, como “Lembrança de Belo Horizonte”.

Assistíamos nossos ilustres personagens pela TV como em final de Copa do mundo – se no Brasil inteiro estava assim, imagine aqui, na capital dos botecos. Chegamos a fazer uma pequena enquete na vizinhança a respeito de quem eram realmente nossos personagens ilustres, e o resultado foi desanimador. “Guimarães Rosa? Conheço não. Tava na CPI?”. Mas Marcos Valério, Cristiano Paz, Simone Vasconcelos, estes sim, haviam corrompido até mesmo a memória do nosso cidadão comum.

Resolvemos então falar um pouco mais sobre isto. Corrupção. Corrupção não apenas na política: corrupção como deterioração, adulteração, depravaçã. Corrupçõezinhas, corruptelas, erupções. Se todo político corrupto é corrupto do mesmo jeito, cada cidadão corrupto é corrupto à sua maneira. Corrupto. Pense, e você se lembrará o dia em que já foi um.

Fizemos um pequeno passeio pelas montanhas e cerrados da ficção, um passeio curto, despretencioso - uma caminhada. Com humor e dor, e também uma certa dose de amargura (afinal, somos mineiros, carregamos metais pesados em nossos subterrâneos).

Alguns dos autores aqui presentes não são escritores, são realizadores que usam a videoarte como meio de expressão artística (ou sobrevivência caótica). Foram convidados a apresentar sua versão sobre o tema, e, já que se fala tanto em pulverização nos meios audiovisuais, pulverizaram-se, sem problemas, em outro suporte, e o resultado foi uma mistura de estilos, de diferentes gêneros e gerações. Há quem tenha corrompido seu próprio nome, usando pseudônimos, ou seu próprio trabalho, roubando textos do alheio, há usos indevidos e apropriações indébitas. O pântano não deixa de ser um dos mais ricos ecossistemas.

E.M. Cioran, em seu Breviário da Decomposição, faz sua “Defesa da Corrupção”: “a ‘verdade’ só é vislumbrada nos momentos em que os espíritos, esquecidos do delírio construtivo, deixam-se arrastar pela dissolução das morais, dos ideais e das crenças. Conhecer, é ver, não é esperar nem empreender”.

Bom, ainda não empreendemos nada, não vislumbramos verdade nenhuma, ainda há muito o que ver, mas, na pior das hipóteses, fizemos um trabalho honesto.

Christiane Tassis
Editora Convidada
kititassis@yahoo.com.br

Posted by christassis at 11:10 PM | Comments (0)

agosto 04, 2005

+ 300 toques

- Deu trezentos e dois toques, o que faço?

Cortar, cortar e cortar. Esta é com certeza uma das coisas mais importantes para quem se aventura na arte da escrita. Cortar o desnecessário. E o que é o não necessário, como distinguir? Tão difícil saber. É por estas e outras que a figura muitas vezes do editor, mentor ou mesmo um amigo leitor torna-se importante nesta arte de carpintaria, como bem ilustrou o mestre Autran Dourado.

Trezentos toques, este quebra cabeça literário, "brincadeira, exercício para a escrita ou tempero para a imaginação", como escreveu Alessandra Archer, foi concebido para celebrar a tesoura.

Nesta edição, leitores, convidados e colaboradores se misturam formando um interessante conjunto de mini-contos que só demonstra a força deste formato que em breve vai virar livro nas mãos do carioca Marcelo Moutinho, que abraçou a idéia.

Como sempre, querendo participar, mande seu e-mail para 300toques@paralelos.org.

Aproveite.

Os textos desta edição 300 toques foram selecionados por Claudinei Vieira.


RESULTADO DA PROMOÇÃO 300 TOQUES

Eva Cristina da Silva Machado, Rio de Janeiro;
Leandro O. Silva;
Lilian Tavares, Rio de Janeiro;
Luís Carlos Machado, São Paulo;
Betinha, Recife.

Posted by augustosales at 04:17 PM | Comments (0)

julho 07, 2005

Especial Flip 2005

EDITORIAL

A festa dos caminhos que se bifurcam

Insistem em tirar o Y do nome da cidade. O mesmo Y que mostra, graficamente, que não há apenas um caminho a se seguir. Por mais que se queira oficialmente adotar o I para a grafia da cidade histórica, a retidão desta letra não combina com suas ruas tortuosas e seus descaminhos, que sempre levam os desavisados a lugares inesperados.

Isto já foi demonstrado no ano passado, na segunda edição da Festa Literária Internacional de Parat(i?). Novos projetos, como o Grupo Mimeógrafo (que gerou a editora FinaFlor) e as Edições K (que inspiram, por exemplo, a coleção De Bolso da editora 7Letras), surgiram para balançar o formalismo da FLIP, que, se em 2004 parecia um desflie de popstars literários, neste ano se pretende mais intelectual.

Ainda assim, há espaço para todos. Um espaço que se expande à medida que se pretende dificultar as iniciativas independentes. Afinal, neste ano, ingressos são pagos até para se ver palestras de telões. Há um encarecimento da estadia na feira, inversamente proporcional aos investimentos de patrocínio nela feitos. Os efeitos se sentem, com muita ênfase, na Oficina Veredas da Literatura, que, neste ano, não premia o esforço dos jovens escritores em busca de uma brecha no mercado, tão difícil quanto andar em linha reta nas ruas de uma Paraty chuvosa.

Serão quatro dias e cinco noites de tietagens, novidades, retrospectivas e perspectivas em relação à literatura do país (com alguns toques estrangeiros para apimentar o caldo cultural). De olho nisto está, inclusive, o cinema, que prepara um documentário sobre escritores no local mais apropriado: em sua própria festa. Que admite, sim, penetras, desde que eles tragam algo que contribua para que se continue a alegria.

Este especial de Paralelos procura refletir um pouco os muitos lados da feira. Há o oficial, o alternativo oficialmente aceito, o alternativo que se impõe de qualquer modo e, é claro, o lado que não se importa com nada. A esperança é de que este painel, que pretende ser mutante a cada dia deste mês (notadamente após a FLIP), consiga expor ao leitor que há sempre alternativas. E que nem todos os caminhos já foram trilhados.

Um deles pode, inclusive, estar à sua espera. Basta seguí-lo.

Delfin
Editor Convidado
k@delfin.com.br

Delin, 33 anos, é jornalista, designer gráfico, editor das Edições K e autor de “Kreuzwelträtsel” (lançado há um ano em Paraty) e “Se eu tivesse um machado”. Seu carro sempre será um Del Rey. Sua cor é laranja. Seu site é www.delfin.com.br.

Posted by delfin at 07:56 AM | Comments (0)

junho 07, 2005

Introdução - Amores Esdrúxulos

Mara Coradello

Lembro de um hai-kai cometido com a imprudência que só temos quando
cometemos coisas pequenas e delicadas:

amores são
como amoras
apodrecem.

Lembro que eu costumava acreditar que o amor era o único tema da
literatura. Meu primeiro amor foi o Vasco, de Música ao longe, de
Érico Veríssimo.
Muito tempo depois o deixei pelo Heathcliff, de O morro dos ventos
uivantes, de Emily Brönte.

A montanha mágica, de Thomas Mann, me deixou obcecada por amores sem
conclusões, amores platônicos ou simplesmente baseados em impressões
fugidias.

Agora ainda, admiro o Oliver de O amante de Lady Chatterley, apesar de
achar seu caráter um pouco falocêntrico demais. Sim, amar é admitir
que nem mesmo um personagem desses é perfeito... Flertava diariamente
com o Othelo de Shakespeare, amedrontada com sua confusão e
enternecida pela mesma. Mas o Bentinho de Machado nunca me seduziu,
era Capitu mesmo a incógnita atraente demais para deixar outro
personagem brilhar.

Lembro como se fosse hoje do impacto causado pela História de O, de
Pauline Réage, ou mesmo das cartas de Pierre Louys do seu Manual de
civilidade destinado às meninas para uso nas escolas, e de como a
Hilda Hilst de Cartas de um sedutor pode ser semelhante a esses, e
talvez superior, na minha modesta e quem sabe, infundada opinião.

Nada mais natural que se um dia eu organizasse um especial para o
Paralelos, utilizasse o amor como tema. Porém, não acredito em temas e
por isso somei a amores o adjetivo esdrúxulos.

Assim consigo, principalmente para meu uso, esquecer as definições
sobre o que é amor, o que é paixão, o que é desejo e o que é
simplesmente engano.

Os contos e a poesia aqui mostrados também trazem apenas a intenção
pessoal do autor sobre esse quase-tema, sem proferir verdades
absolutas. Em comum é que estão todos deliciosamente sedutores.

Cada um o interpretou como bem lhe aprouve. Assim como cada um de nós
interpreta o dito amor...Esdrúxulo ou não.
Aproveitem! Eu não imagino uma leitura melhor para este mês em que
amar parece significar apenas querer minutos mais baratos nas ligações
de telefones móveis.

Posted by maracoradello at 01:09 AM | Comments (0)

abril 05, 2005

Mais de trinta autores em trezentos toques

EDITORIAL

- Não coube em 300 toques.

Como resumiu certa vez Alessandra Archer, desafiada por este quebra-cabeça literário de se montar micro-narrativas com apenas 300 toques (sem contar com o título), "redigir um texto com 300 caracteres é desafio, brincadeira, exercício para a escrita ou tempero para a imaginação. Para aqueles que curtem o jogo de quebra-cabeça prazeroso que é escrever, acrescente-se uma saudável dose de pretensão. Vaidosos, lançaremos mão até da palavra 'paralelepípedo' e fim".

”Trezentos toques” teve sua gestação nos idos de 1999/2000 quando o então colaborador do site falaê!com.br, precursor de Paralelos.org, ALEXEI GONÇALVES, professor de marketing da Universidade Federal Fluminense (UFF), sugeriu uma seção em que convidados e leitores fossem provocados a um quebra-cabeça literário.

O resultado foi um sucesso, no falaê!com.br foram publicados centenas de 300 toques de leitores e convidados e o formato ganhou a força internet brasileira, se popularizando e sendo usado por vários autores que até hoje espalham seus mini-contos seguindo esta interessante fórmula.

[Os curiosos podem acessar algumas páginas do antigo falaê! armazenadas no Internet Archive, um projeto internacional que cataloga, desde 1996, páginas e sites relevantes para a história da internet no mundo todo. Algumas seções do falaê!com.br estão neste museu virtual, como por exemplo o 300 toques. Para ler alguns mini-contos clique aqui.]

Quando do lançamento do projeto Paralelos, na Primavera do Livros de 2003, preparamos um singelo livrinho de micro-narrativas em “Trezentos toques” intitulado “300 toques - Escritores à beira-mar” com contos de Alessandra Archer, Augusto Sales, Cecília Giannetti, Crib Tanaka, Gustavo de Almeida, João Paulo Cuenca e Mara Coradello [Foto do livrinho abaixo]. O design foi assinado por Mariana Newlands, que também criou a identidade visual de Paralelos. A tiragem de 2.000 exemplares foi distribuída antes e durante a Primavera dos Livros daquele ano. Os autores e as demais pessoas envolvidas no projeto participaram de uma intervenção [literária] urbana durante toda a semana da feira distribuindo, principalmente aos motoristas parados em sinais de trânsito, um mimo contendo, além do livrinho 300 toques, balas de canela e um convite para a Primavera; tudo isso embrulhado em um saquinho transparente que dava todo charme à brincadeira.

A recepção das pessoas em relação a idéia foi além das expectativas e muitos dos que vieram ao Rio de Janeiro para a feira, como o escritor pernambucano radicado em São Paulo, Marcelino Freire, voltaram para suas cidades com as bolsas cheias de livrinhos e balas de canela para presentear amigos e entes queridos [N.E. Tenho para mim que Marcelino gostou tanto da idéia que meses depois veio a organizar os “Cem menores contos do século”, desta vez com micro-narrativas de 50 toques, mais ou menos na linha do “300 toques - Escritores à beira-mar”].

Por ser um formato instigante, retomamos, agora em Paralelos.org, o 300 toques, lançando assim o desafio para que nossos leitores e colaboradores encaminhem para o e-mail 300toques@paralelos.org suas micro-narrativas. Esta se torna, a partir de agora, uma nova seção, que todo mês publicará textos de convidados e PRINCIPALMENTE os trabalhos recebidos dos leitores paralelos.

E fique de olho, caro leitor, que o escritor e jornalista Marcelo Moutinho, um dos organizadores de “Prosas Cariocas – Uma nova cartografia do Rio”, produz atualmente em parceria com a mesma Mariana Newlands, um livro que unirá micro-narrativas de até 300 caracteres e fotografias. O a publicação está prevista para o segundo semestre deste ano.


PROMOÇÃO

Paralelos sorteará 5 (cinco) livrinhos "300 toques - Escritores à beira-mar" (raridade) para os leitores que encaminharem suas micro-narrativas para participar do próximo especial "Trezentos toques" a ser publicado no próximo mês.


Posted by augustosales at 09:09 AM | Comments (0)

março 06, 2005

Especial Mulher

Aproveitando o gancho do dia internacional da mulher que se aproxima, Paralelos resolveu estrear o primeiro Da gaveta do autor [uma idéia de Vinícius Martinelli Jatobá], mini-especial de autores com livro no prelo, que permite ao leitor degustar textos inéditos que só teriam acesso quando o livro chegasse às livrarias, com Ivana Arruda Leite, autora de Falo de mulher, e que lança, provavelmente ainda este mês Ao homem que não me quis, pela editora Agir.

Conversamos também com a jornalista e artista plástica Elvira Vigna, autora de A um passo, publicado pela editora Lamparina, que recém completou seu primeiro ano de atividade. Em conversa com Ronize Aline, que resenhou o livro, Elvira aborda de que maneira se envolve com seus personagens e comenta o papel das pequenas editoras no mercado editorial brasileiro.

Para deixar a festa mais animada ainda, o début de quatro autoras inéditas em Paralelos: Isabella Rodrigues, Marcele Fernandes, Maria Alice Mansur e Renata Magdaleno.

Saúde!

Posted by augustosales at 08:53 PM | Comments (0)

fevereiro 17, 2005

Especial Quarta-feira de cinzas

EDITORIAL


Lá se foi a Carnaval mas o bloco dos autores 'Paralelos' continua na rua.

Convidando escritores dos mais diversos estilos e idades, a festa literária dá partida para o novo ano e está mais animada do que nunca: de lembranças de infância, até jogos com personalidades históricas; do lirismo à dramaticidade... Foi-se o Carnaval. 'Paralelos' convidou escritores para que criassem narrativas cuja única regra era que tivessem alguma relação com as festividades. O resultado não poderia ter sido melhor e mais plural (muitos arrancaram tempo para escrever entre as serpentinas e confetes da festa deste ano).

Alguns desses autores nunca publicaram antes do site. Outros são veteranos convictos, e estão aqui desde o começo. E esse especial marca o compromisso do 'Paralelos' em trazer para nosso convívio literário escritores como Adriana Lisboa, Antonio Fernando Borges e Ivana Arruda Leite que já possuindo um certo maior caminho percorrido, têm boas coisas para a trocar com os novíssimos.

Agora, à leitura


VINÍCIUS MARTINELLI JATOBÁ,
Editor convidado

Posted by vinjatoba at 12:32 PM | Comments (0)

outubro 30, 2004

Contos em trânsito

EDITORIAL ESPECIAL SÃO PAULO

São Paulo não pára? Lógico que sim. Mas, entre os cruzamentos entupidos, faróis fechados, ônibus cheios, buzinadas, enchentes e assaltos, o que não pára é a literatura produzida em São Paulo.

Literatos paulistas? Escritores paulistanos? Contistas bandeirantes? Artistas caipiras nativos? Nada disso. O RG exigido aqui é o da escrita em si, da narrativa construída com a fumaça local, argamassa poluída, derivada do cotidiano, dos temas e da vida vivida e / ou morta, sugeridos a partir da própria cidade. Sem necessidade, portanto, do autor ter nascido no asfalto, mas pelo menos radicado o tempo suficiente para absorver os eflúvios emanados pelo Tietê. E devolvê-los na forma de uma certa beleza concreta.

Pois esta cidade permite isso. As paralelas acabam se cruzando e as transversais não se perdem porque tudo desemboca e mistura-se no centro. Em qualquer um dos quatro ou cinco centros.

Não falta Literatura com L maiúsculo. Nem esta tal de Beleza. Muito menos, carros. É melhor sair da frente. O sinal abriu. //


CLAUDINEI VIEIRA
Editor Convidado;


ÍNDICE

LITERATURA & AFINS

Paralelos entrevista Manuel da Costa Pinto. Apesar de jovem, já está marcando presença fortíssima na crítica literária brasileira (embora ele mesmo não se considere como um ‘crítico’ e sim jornalista cultural). O menos que se pode dizer é que foi o fundador da revista CULT do qual foi o editor-responsável por seis anos.

Conversando sobre literatura brasileira: entrevista com Manuel da Costa Pinto
por Claudinei Vieira


Resenhas, Matérias, Discussões

Eu te darei o céu, e outras promessas dos anos 60
por Claudinei Vieira

Os fragmentos de Julián Fuks
por Fransueldes Abreu

Subtamente: Agora
por Lidiane Soares Rodrigues

Requinte-patchouli em Minto Enquanto Posso
por Crib Tanaka


CRÈME DE LA CRÈME

Ficções e Fricções

Toda a cidade sob mim
por Paulo F.

A derradeira flor
por Rodrigo Gurgel

Final de tarde, Praça do Correio
por Claudinei Vieira

O carro
por Marcelo Barbão

Abraço no espelho
por Yara Maria Camillo

Numa noite paulistana
por Emanuel Campos

Jabaquara-Tucuruvi
por Andréa del Fuego

Anéis de fumaça
por Tatiana Carlotti

Duzentos e dezessete
por Tony Monti

Decomposição
por Fabíola Moura

Corpus Civita
por Lidiane Soares Rodrigues

Chapa de paradeiro incerto
por Bruno Zeni

Amanhã vai ser outro dia
por Fransueldes Abreu

A bondade de tudo que é puro na vida
por Indigo

Posted by claudinei at 10:50 PM | Comments (0)

julho 16, 2004

Especial Grand Guignol

EDITORIAL GRAND GUIGNOL

Há um balde de tripas e sangue em cada texto

[Quer saber o que é Grand Guignol? Então visite GrandGuignol.com]


Tem estômago fraco, caro leitor ?
[putz, isso ficou muito cine trash. melhor tentar de novo]
Abandonai toda a esperança, vós que aqui acessais.
[naaaahhh]
Cérebro derretendo. Calor. Prazo já no fim. Mail chegando. Melhor checar.

Essa foi minha redenção. O que poupou vocês de novas investidas trashentas para o começo deste texto. Eu estava regurgitando umas idéias escabrosas sobre o título e a forma de começar o editorial desta edição especial, quando Fábio Fernandes veio com a sugestão que foi prontamente aceita. A sutil brincadeira de açougueiro com o livro “Há uma gota de sangue em cada poema”, de Manuel Bandeira, serviu perfeitamente para esta edição grand guignol de Paralelos. Sim. Grand guignol. Esta manifestação teatral que surgiu na França, reunindo escatologia, perversão, tripas, sangue, feridas e pústulas. E gente fazendo caretas de nojo. Ou lambendo os beiços. Ou os dois. Esta estética que acabou sendo utilizada por figuras como Russ Meyer, Zé do Caixão, Petter Baiestorf, Roger Corman e que tais, além de enredos gore-splatter-core por vários cantos do mundo.

É isso que vocês encontrarão aqui: cuidado para não se sujarem.

Com o título na cabeça, me deparei com outra questão: uma edição especial paralélica que pretende revitalizar o grand guignol tem que ser bastante estilosa. Precisávamos chamar a atenção para este estilo literário utilizando um forte elemento diferencial. Mãos sendo decepadas costumam chamam atenção. Mas eu precisava – e ainda preciso, ora bolas – das minhas para digitar este editorial. E para outras coisas mais que não vêm ao caso agora.

Forçando o cérebro carunchento, acabei encontrando um meio de matar – opa ! – dois coelhos com uma só cajadada. Inspirado no tema escolhido, fui às profundezas para selecionar os prosadores desta edição. Às profundezas da Internet, ora bolas. Nada de cogitar pactos: cê tá pensando que eu sou Lóki ? Na minha busca, soquei as portas de entrada do Orkut, essa comunidade virtual que têm dado o que falar ultimamente, por conta da capacidade de agregar pessoas e, supostamente, por não ter uma função bem definida. Na comunidade Paralelos, criada por Augusto Sales, abri um tópico convidando escritores a participar desta edição especial guignolesca, na tentativa de também verificar qual seria a resposta obtida. Traduzindo: eu queria ver qual era o grau de interesse e interação em uma comunidade desse tipo.

A resposta ?

Alvoroço geral com a proposta. Que inicialmente era reunir 13 pessoas cadastradas no Orkut e 13 pessoas “de fora”. O furdunço foi tão grande, com várias pessoas querendo saber mais sobre grand guignol e outras se dispondo prontamente e escrever e ilustrar, que acabei mudando de idéia. A edição passou então a ser composta quase que completamente pelos escritores e ilustradores da comunidade Paralelos. Que simplesmente destrincharam a Língua, a puta-que-manda, segundo grafou João Filho.

E por falar em João Filho, a trinca de jotas – a saber, este que vos escreve, o malacomano já citado e Jorge Cardoso: as três pontas do tridente – volta a deixar sua marca, desta vez mostrando com quantas tripas e substâncias orgânicas se faz literatura tarja preta. Estes dois escritores não foram catados no Orkut, mas já haviam deixado aos meus cuidados, textos guignolescos; então, nada melhor do que utiliza-los nesta edição. Assim como “Narinas”, de Wir Caetano, que foi recrutado pessoalmente – o conto faz parte de um livro que foi interrompido.

Convido então vocês a entrarem em um universo paralelo, habitado por cientistas à la Dr. Phibes, mãos cortadas, alucinações com intelectuais [?], vizinhos sendo cortados em pedacinhos, um homem-tronco, evisceração de consciência, guetos auto-destrutivos, dor de dente em campo de batalha, banquetes sanguinolentos e outras maravilhas sádicas. Assim, comprovem que temos aqui um bando de açougueiros das letrinhas, ávidos por líteroevisceração. E almocem. Jantem. Se puderem.

Ah, sim. Antes que eu me esqueça:
Grogogoh para vocês.


JORGE ROCHA,

Posted by jorgerocha at 04:52 PM | Comments (5)

abril 10, 2004

Dos pixels às prateleiras

ESPECIAL BLOGS PARALELOS;

EDITORIAL

Como já disseram antes, no Brasil não dá para falar de literatura contemporânea sem abordar o universo dos blogs. Jovens autores, aspirantes, jornalistas e toda sorte de “gente que escreve” usam e abusam da ferramenta de publicação mais popular da grande rede, o weblog. O weblog, uma espécie de diário online, é um espaço onde o “usuário” tem a facilidade de publicar diariamente uma quantidade infinita de textos sem precisar conhecer nada de HTML (linguagem para programação de páginas da web).

Do universo de blogs destacamos aqueles que chamaremos de “blogs literários”, que são aqueles em que os seus autores discutem literatura, publicam seus trabalhos ou informam amigos e visitantes de eventos e iniciativas literárias.

Alguns desses sites literários têm virado livro, deixando os pixels das telas de computador e passando às prateleiras das livrarias. Não que todos estes livros sejam necessariamente uma versão impressa do que fora publicado antes na internet. Nada disso. Mas sim que seus autores experimentaram (ou experimentam) estes espaços para interagir com seus leitores, apresentar seus textos e até testar formatos.

Navegar é preciso

Procuramos catalogar para esta edição vários blogs e assim formar uma blogteca de Paralelos.

Na blogteca Paralelos o leitor encontrará preferencialmente blogs literários, alguns blogs jornalísticos e outros que não conseguimos definir, mas que valem a pena estar no bookmarks.

Não tenham dúvida que o trabalho de pesquisa foi sério, árduo e cansativo. Todos os blogs da lista foram lidos em profundidade e a seleção de textos desses diários online não foi fácil. Não estamos publicando todos os textos que gostaríamos por conta do espaço disponível, entretanto já está agendado um segundo especial, com atualização da blogteca e novamente com mais textos extraídos dos blogs para um futuro bem próximo. Fique de olho.

Neste primeiro especial, textos extraídos dos blogs de Cecília Giannetti, Alexandre Inagaki, Joca Reiners Terron, Augusto Sales, Rosana Caiado, Ana Paula Mangeon, Gustavo de Almeida, André “Cardoso” Czarnobai, Miguel Conde, Carlos Jazzmo, Marcelo Nogueira, Antônia Pellegrino, Daniel Pellizzari, Maria de Fátima, Ana Elisa Ribeiro, Ronaldo Bressane e Xico Sá. Estes escribas usam a internet para informação, debate, experimentação e divulgação de seus trabalhos.

Além dos textos ficcionais, atenção para a interessante discussão levantada por Alexandre Inagaki em “Literatura na rede: a transição dos bytes para as bibliotecas” e para “Carta aberta” de Cecília Giannetti. A autora faz um paralelo interessantíssimo entre as cartas trocadas entre autores como por exemplo Fernando Sabino e seus colegas - que acabavam servindo de matéria prima para seus livros - e os posts nos blogs de hoje - que são verdadeiras “cartas abertas” para seus leitores. Adicionalmente, vale a pena ler com aplicação cuidadosa da mente as úteis observações de Daniel Pellizzari sobre os novos caminhos para a literatura em “Observação inútil”.

Ah, sim, blog também é diário. E mesmo assim pode ser bastante interessante. Prova disso está no blog mantido por Maria de Fátima, do qual extraímos um divertido (e quase trágico) relato de como foi a sua segunda-feira, 20 de outubro de 2003, três dias antes da Primavera dos Livros no Rio de Janeiro.

Bonus track: de bandeja uma resenha de do livro Das coisas esquecidas atrás da estante, de Clarah Averbuck, basicamente uma coletânea dos posts de seu finado blog Brazileira!Preta. A resenha foi escrita por Tony Monti, autor de O Mentiroso, que também dá nome ao seu blog.


NOTA IMPORTANTE: os fragmentos publicados foram tirados diretamente dos blogs em questão e não sofreram nenhum tratamento de revisão ou edição por parte de Paralelos. Lembre-se que os autores geralmente publicam “work in progress” em seus blogs e portanto os textos não são produto final, podendo ser rascunhos ou muitas vezes material bruto para ser burilado e limado no momento certo. Como qualquer bloco de notas, estes textos podem conter imperfeições, o que absolutamente normal e não estamos nem aí para isso.


Atualizem seus bookmarks.

AUGUSTO SALES

ÍNDICE DE TEXTOS DO ESPECIAL
...........................................................................

FEIRA LIVRE

Blogs Paralelos;
por Augusto Sales


LITERATURA & AFINS

Carta Aberta
por Cecilia Giannetti

Literatura na rede: a transição dos bytes para as bibliotecas
por Alexandre Inagaki

Observação inútil
por Daniel Pellizzari

O livro escrito por sua melhor personagem
por Tony Monti


CRÈME DE LA CRÈME

69
por Rosana Caiado

Absintho
por Augusto Sales

A chatice do desejo
por Xico Sá

Alumbramento em carvão-grafite
por Antônia Pellegrino

Chevete 86
por Marcelo Nogueira

Flores caducas
por Miguel Conde

Ludo
por Ana Paula Mangeon

Hamilton - Uma trajetória
por Carlos Jazzmo

Inferno? Mais embaixo
por Joca Reiners Terron

Luz.
por Ronaldo Bressane

Mulheres que um dia amamos
por Gustavo de Almeida

O eu lírico quase!
por Ana Elisa Ribeiro

O oitavo dia: Pafúncio
por Cardoso

Tropeçando no buraco
por Maria de Fátima
//

Posted by augustosales at 01:21 AM | Comments (6)

março 08, 2004

Mini-especial Mulher

Deixando de lado a eterna discussão sobre a guerra dos sexos, a Paralelos resolveu buscar um olhar especialmente feminino para homenagear a Semana da Mulher. São cinco representantes deste sexo nada frágil pisando em chão que conhecem bem. Personagens femininas criadas por mãos femininas.

Macarrão instantâneo
Por Ana Paula Mangeon

Os olhos penetrantes
Por Paula Foschia

Dois laços azuis
Por Crib Tanaka

Piedade
Por Adriana Terra

Curto-circuito
Por Sabine Marins

Amargo em rimas
Simone Paterman

Posted by soniaop at 02:06 AM | Comments (0)

março 07, 2004

Especial Rocinante


Um péssimo negócio

Chega a ser quixotesco. Todo mundo sabe que a literatura brasileira acabou lá pelo começo da década de 80, que a ditadura militar alienou duas ou três gerações de possíveis escritores, que ninguém lê no Brasil, que é muito mais divertido fazer uma banda, que dá muito mais retorno trabalhar numa agência de publicidade, que ninguém com menos de quarenta anos tem formação, maturidade e a calma necessária para escrever boa ficção, que não adianta nada lançar um livro se o esquema de distribuição do mercado ou é falho, ou é mafioso, que arte não muda o mundo. Deu na mídia. Deu várias vezes.

Mas, não.

Os caras foram lá e escreveram uns troços. Não dá nem muito pra chamar de literatura. É mais um arroubo petulante, desconfio até que não passe de uma jogada para tentar atrair o sexo oposto. E o pessoal da 7Letras caiu na arapuca e fez uma coleção só com esse aglomerado de palavras, organizado das maneiras mais esdrúxulas e modernetes possíveis. E todo mundo sabe que esse negócio de vanguarda, de experimental, já morreu faz muito tempo.

Mas, não.

O Jorge e o pessoal da 7Letras fizeram esse péssimo negócio e agora vão ficar cheios de livros encalhados, cujo papel anda bem caro, e a literatura brasileira vai continuar a mesma. Ou seja, vai continuar morta.

Só posso dizer que foi um péssimo negócio. Tanto para os jovens autores, que estão perdendo a época mais linda da vida deles, atravessando as noites na solidão, sofrendo para dar sentido a um monte de palavras; quanto para a pequena editora, que vai acabar no prejuízo e nunca vai conseguir vender um livro numa livraria de aeroporto. Pode apostar. Eu mesmo já fiz uma besteira dessas junto com a 7Letras.

Mas, não.

Achei a maior curtição ler os três livros que li da Coleção Rocinante. E acho o maior barato que ainda exista gente nova com ganas de tocar em frente essa coisa deficitária que é a literatura. Só de onda.

Não é pra levar a sério. A Coleção Rocinante não passa de boa literatura feita por gente talentosa e por uma editora idealista em excesso, com pouquíssima visão de mercado.


***


ENTREVISTAS

Vermouth e letras
Por Claudinei Vieira

Das Coisas Lembradas por Clarah
Por Tony Monti

“Tudo de bom e de ruim que eu li está nas coisas que eu escrevo”
Por Flávio Ihzaki


FICÇÕES E FRICÇÕES

Maverick V8
por André Giusti

Mundo Animal
Por Tony Monti

A visita anual
Por João Paulo Vaz

A mão
Por Ariela Boaventura

O armário
Por Marcelo Moutinho

Eu acredito
Por Clarah Averbuck


RESENHAS

O nosso inefável cotidiano
por Claudinei Vieira

O bispo
por Mariel F. dos Reis

Escarafunchando motivos secretos
por Claudinei Vieira

A Solidão de um Livro Só
por Mara Coradello

Infestado pelos demônios íntimos
por Rafael Lima

Domingo
por André Giusti

Uma mulher sem medo
por Ariela Boaventura

Minto que minto
por Flávio Izhaki

Benditas estações da nova literatura
por Alessandro Garcia

Pressentimento do umbigo
por Paloma Vidal

Contos de um jovem poeta
por Max Mallmann

O Apanhador nos Strawberry Fields
por Simone Paterman

Traçando Carlos
por Simone Paterman

O habitante das falhas subterrâneas
por Mariel F. dos Reis

Antes do riso
por Marcelo Moutinho

Posted by andresantanna at 11:53 AM | Comments (7)

março 01, 2004

Novos caminhos da escrita de Minas

EDITORIAL


Após a Estação Primeira de Mangueira recuperar, no samba-enredo do carnaval deste ano, a Estrada Real, que, no passado, ligou Minas Gerais ao Rio de Janeiro, Paralelos recria uma viagem literária entre os dois estados e apresenta, nesta edição especial, a produção literária de 22 escritores contemporâneos mineiros ou radicados em solo inconfidente.

Os caminhos antes atravessados por comerciantes de metais e pedras preciosas hoje são feitos via web, cabos de fibras óticas e ondas transmissoras que levam às terras de São Sebastião outros produtos valiosos de Minas: contos, crônicas, ensaios e poemas.

Como amostra nesta edição, o leitor atento encontrará uma mesclagem de gêneros e estilos de escritores de diferentes gerações. Na verdade, é como se fosse uma encruzilhada de letras. Nas crônicas, a criatividade e o humor excêntrico de Sebastião Nunes em uma pista de mão-dupla com Pablo Pires, que evoca a memória de Santa Tereza, um bairro tradicional de Belo Horizonte.

De um lado, a poética urbana de Gilson César Ribeiro e um passeio de Ricardo Aleixo pela capital; de outro, um ensaio sobre os cantopoemas na tradição do candomblé mineiro, escrito pelo juiz-forano Edimilson de Almeida Pereira. Na tarefa de contar histórias, um refinado conto de Francisco de Moraes Mendes cruza o caminho da narrativa de Vitor Hugo Munaier.

Além disso, a veia literária das mulheres é representada pela sutileza da poeta Prisca Agustoni e pela inventividade de Ana Elisa Ribeiro, somadas, ainda, à contista Telma Santos e à poeta inédita Cristina Medeiros. Como um tesouro desencavado do barro de 25 anos, um poema de Wir Caetano vem à tona, após o escritor ter se dedicado, com mais afinco nos últimos anos, à prosa. No mesmo baú, acha-se uma crônica de Regis Gonçalves, que se considera pouco dedicado aos textos em prosa. Esta edição também traz uma entrevista com o novo editor do Suplemento Literário, o poeta e jornalista Fabrício Marques.

Caminhos cruzados, encontros de gerações, inversões e confusões em torno de gêneros dão mostra da heterogeneidade da produção literária montanhesa. Muitos autores ficaram de fora desta edição - é difícil juntar todos -, o que prova que a escrita dos mineiros não pára por aí e que o caminho da viagem é longo. Mas, se a geografia dificulta, a escrita possibilita mostrar e encontrar Minas além mar. //


George Cardoso
Editor Convidado


ENTREVISTA

Paralelos entrevista Fabrício Marques
por Jorge Rocha


LITERATURA & AFINS

Rachel Jardim: Memórias sobre a ficção e o real
por Édimo de Almeida Pereira


CRÔNICAS E ENSAIOS

A poesia no meio da rua, no meio do mar
por Edimilson de Almeida Pereira

Remédios antigos para males antigos e modernos
por Sebastião Nunes


PIPI
por Luís Giffoni

A poética de vários gumes de Claudia Roquette-Pinto e Elisa Biagini
por Prisca Agustoni

A memória de uma música brega
por Pablo Pires


FICÇÕES & FRICÇÕES

Que se apresente aquele que deu origem ao plano
por Vitor Hugo Munaier

Quase Blue
por Francisco de Morais Mendes

Jogo
por Telma Santos

Na contramão do verso, do mito, da vida
por George Cardoso

Borboletas em fuga: para onde?
por Fábio Morato de Castilho


Viagem à eternidade das palavras
por Regis Gonçalves


POESIA

( timoneiro timorato
por Renato Delboni

Smoking e Estricnina
por Fabrício Marques

Paixão Inflame
por Renato Negrão

Poemas em Prosa
por Prisca Agustoni

Por aí (Rap)
por Gilson César Ribeiro

10 Poemas Anoréxicos
por Geraldo Magela

Eu sou o poeta
por Makely Ka

Labirinto
por Ricardo Aleixo

Alerta aos incautos
por Geraldo Magela

Composição
por Wir Caetano

4 Poemas
por César Gilcevi

Carta
por Cristina Maria Medeiros

Ciuminho Básico
por Ana Elisa Ribeiro


//

Posted by gecardoso at 08:06 PM | Comments (1)

fevereiro 15, 2004

Desengavetando Escritos II

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Paralelos desengaveta o trabalho de autores que não têm medo de botar a cabeça para fora da toca.

EDITORIAL

Dando a cara a tapa.

Desde a sua incubação, o objetivo maior do Projeto Paralelos é estimular o processo de renovação da produção literária através da discussão da literatura atual, identificação, mapeamento e apresentação de talentos dessa nova safra de escritores que hoje estão por aí produzindo seus trabalhos independente dos humores do mercado editorial brasileiro.

Paralelos.org, bem como a revista-livro Paralelos, que será lançada este ano, são partes de uma proposta ousada que proporcionará um espaço a mais para publicação de trabalhos desses escribas Brasil a fora, além de contribuir para a formação de novos leitores.

Assim sendo, acreditando que a nossa literatura não estancou em Guimarães Rosa, Paulo Leminski ou Drummond, é que escancaramos nossas portas para os autores que têm constantemente enviado seus trabalhos para divulgação neste espaço.

Até aqui nossa missão tem sido a de servir como um farol para os navegantes da nova e novíssima literatura – sejam eles editores, escritores, leitores espertos (sim, leitores sempre ganham adjetivos; ou são leitores "ávidos”, “compulsivos” ou "contumazes" – preferimos “espertos”), mídia, governos, ou quaisquer iniciativas pró-literárias –, e é com esse espítito que apresentamos o segundo especial “Desengavetando Escritos”, recheado de textos selecionados dessa turma que, não tendo medo de dar a cara a tapa, insiste em provar que escritor é uma raça que se reproduz até em cativeiro literário.

Avanti. //


OS DESTEMIDOS:

Metropolitana
por Ana Beatriz Guerra

Exílio
por Ana Lia Ambrósio

Pílulas de Morte
por Antônia Pellegrino

Fuga
por Breno Pessoa

Agora faço natação
por Dani Sigaud

Uma rosa
por Débora Monnerat

Canto Onírico
por Edney Leal

O pobre diabo
por Elaine Pauvolid

[Chuva]
por Masé Lemos

Berlim
por Pedro Süssekind

Apenas o vento
por Vinicius Jatobá

Idas e Vindas
por Yuri Bandeira

Posted by augustosales at 02:11 PM | Comments (3)

janeiro 23, 2004

Especial Bandeirante

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EDITORIAL BANDEIRANTE

E as ondas paulistanas desaguaram na Paralelos. A grande maré provocada por este momento caudaloso e um tanto esquizofrênico da data de aniversario desta cidade foi, e está sendo, pretexto para um foguetório explosivo, agitado, multi-colorido e tonitruante, e chegaria por aqui mais cedo ou mais tarde.

É claro: boa parte desta festa é puro jogo de fogos de artifício. No entanto, chega a ser impressionante: muita coisa boa produzida, escrita, mostrada, ´descoberta´, analisada, discutida. Até mesmo na infernalizante Grande Mídia: o jornal Folha de São Paulo com um dos mais belos cadernos culturais de e com artistas paulistanos, organizado pelo crítico e editor Manuel da Costa Pinto; concurso de crônicas pela Biblioteca Mario de Andrade e ´gerenciado´ pelo Ignácio de Loyola Brandão; concurso de contos d´O Estado de São Paulo em um caderno especial com dez contistas selecionados (e, inclusive, dois deles estão aqui, paralelamente). E por aí vai.

Atiçamos alguns escritores paulistanos a escrever, traçando estas linhas paralelas, trocando as respectivas águas de nossas praias literárias. Uma primeira constatação imediata e interessante: o Escritor Paulistano, paulistano-da-gema, paulistano-de-verdade, nem sempre é, muitas vezes sequer nasceu na cidade, ou até mesmo no Estado! Pode conferir. Nós constatamos na prática.

A segunda constatação era óbvia. Os textos refletem diversidade, heterogeneidade, “multi-culturalidade” megalopolítica. Contos; poemas; ensaios; entrevistas; autores consagrados e musas literárias; gerações noventa, zerozero, zeroum, zerodois, zerotrês, zeroquatro.

Como não poderia deixar de ser.

CLAUDINEI VIEIRA
Editor Convidado


ESPECIAL 450 BANDEIRANTE

ENTREVISTA: Roberto Pompeu de Toledo

“A Capital da Solidão”, a mais completa biografia de São Paulo, história seminal da cidade e de como os personagens e lugares formaram-na e transformaram-na no que hoje se conhece, é um belo presente para paulistas e paulistanos. Confira a entrevista que o autor do livro, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, concedeu ao Paralelos.
Por Jaime Gonçalves Filho


CRÈME DE LA CRÈME

Pro Beleléu
por André Sant'Anna

A Incrível História do Garçom e da Garota
por Claudinei Vieira

Um jogo de escorpiões - Apodrece as horas
por Claudio Daniel

o sol na sombra
por Cláudio Galperin

O mesmo vento
por Eduardo Carvalho

Estilhaços
por Fransueldes Abreu

La Denser & Sampa S/A
por Márcia Denser

A verdadeira ‘revolução’ modernista se deu há exatos 80 anos — em 1924
por Mauro Rosso

Quinze Milhões de Paçocas
por Neuza Paranhos

Zero
por Ronaldo Bressane


//

Posted by claudinei at 11:01 AM | Comments (1)

janeiro 11, 2004

Desengavetando escritos

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A ARTE DE DESENGAVETAR ESCRITOS

EDITORIAL

Paralelos publica textos engavetados de leitores autores que querem divulgar seus trabalhos

Dando a cara a tapa.

Desde a sua incubação, o objetivo maior do Projeto Paralelos é estimular o processo de renovação da produção literária através da discussão da literatura atual, identificação, mapeamento e apresentação de talentos dessa nova safra de escritores que hoje estão por aí.

Paralelos.org, bem como a revista-livro Paralelos, que será lançada este ano, são partes de uma proposta ousada que proporcionará um espaço a mais para publicação de trabalhos desses escribas Brasil a fora, além de contribuir para a formação de novos leitores.

Assim sendo, acreditando que a nossa literatura não estancou em Guimarães Rosa, Paulo Leminski ou Drummond, é que escancaramos nossas portas para os autores que têm constantemente enviado seus trabalhos para divulgação neste espaço.

Até aqui nossa missão tem sido a de servir como um farol para os navegantes da nova e novíssima literatura – sejam eles editores, escritores, leitores espertos (sim, leitores sempre ganham adjetivos; ou são “leitores ávidos” ou “leitores compulsivos” – preferimos “espertos”), mídia, governos, ou quaisquer iniciativas pró-literárias –, e é com esse espítito que apresentamos o primeiro especial “Desengaventando Escritos”, recheado de textos selecionados dessa turma que, não tendo medo de dar a cara a tapa, insiste em provar que escritor é uma raça que se reproduz até em cativeiro literário.

Avanti. //


OS DESTEMIDOS:


Sórdido
por Alessandro Garcia

Viagem de Ônibus
por Ivo Korytowski

Sibila
por Leonardo Vieira de Almeida

A caça
por Marcelino Rodriguez

Ciclotimia
por Maurício Limeira

Isaac
por Oscar Mourave

Hipocondríaca
por Renato Ramos

Bicicletas
por Saint-Clair Stockler


Posted by augustosales at 05:52 PM | Comments (1)